A presença feminina na advocacia: conquistas e desafios no Dia Internacional da Mulher
Por: Lorena de Lacerda – Advogada
Com participação crescente no sistema de Justiça, mulheres já representam cerca de metade da advocacia brasileira, mas ainda enfrentam desafios relacionados à igualdade de oportunidades e liderança.
A participação das mulheres na advocacia brasileira representa uma das transformações mais significativas no cenário jurídico nas últimas décadas. Se, no passado, o exercício da profissão era predominantemente masculino, hoje a realidade demonstra um campo cada vez mais plural. Dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) indicam que as mulheres já representam cerca de 50% dos profissionais inscritos na instituição, com crescimento constante nos últimos anos. Nas faculdades de Direito, essa presença é ainda mais expressiva: segundo o Censo da Educação Superior, as mulheres correspondem a mais de 55% dos estudantes matriculados em cursos jurídicos, o que aponta para um futuro em que a presença feminina tende a se tornar ainda mais relevante na advocacia.
Historicamente, entretanto, a inserção feminina no universo jurídico foi marcada por obstáculos. Durante muito tempo, o acesso das mulheres à educação superior e às carreiras jurídicas foi limitado por barreiras sociais e culturais. Um marco importante dessa trajetória foi a atuação de Myrthes Gomes de Campos, que em 1906 tornou-se a primeira advogada a exercer a profissão no Brasil, abrindo caminho para que outras mulheres ingressassem na advocacia. A partir desse momento, iniciou-se um processo gradual de transformação que ampliou a presença feminina no Direito e fortaleceu a luta por igualdade dentro da profissão.
Nas últimas décadas, o avanço feminino no sistema de Justiça tornou-se cada vez mais visível. Atualmente, mulheres ocupam posições de destaque não apenas na advocacia privada, mas também na magistratura, no Ministério Público, na Defensoria Pública e na academia jurídica. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as mulheres representam cerca de 38% da magistratura brasileira, percentual que vem crescendo progressivamente. Além disso, a participação feminina em cargos institucionais da própria OAB e em espaços de liderança dentro da advocacia tem aumentado, refletindo um movimento de maior representatividade.
Apesar dessas conquistas, ainda persistem desafios importantes. Muitas advogadas enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso a cargos de liderança em grandes escritórios, além de questões ligadas à desigualdade salarial e à conciliação entre carreira e maternidade. A intensa rotina da advocacia, marcada por prazos processuais e audiências, frequentemente exige adaptações institucionais para garantir condições mais equilibradas de exercício profissional. Nesse contexto, iniciativas voltadas à promoção da equidade de gênero têm ganhado força no meio jurídico.
Como destaca a própria OAB em debates sobre o tema, “a presença feminina na advocacia não representa apenas um avanço numérico, mas uma transformação estrutural na forma de pensar e exercer o Direito”. Assim, ao celebrar o Dia Internacional da Mulher, é fundamental reconhecer as conquistas já alcançadas pelas advogadas brasileiras e reforçar o compromisso com a construção de um ambiente jurídico cada vez mais inclusivo, representativo e igualitário.

Dra. Lorena de Lacerda
Advogada integrante do escritório Curvello e Andrade Advocacia. Atua na área jurídica com foco em soluções estratégicas e acompanhamento de demandas judiciais, dedicando-se também à produção de conteúdo e reflexão sobre temas relevantes do Direito.







