Agente da Transalvador faz história em escolta de motos em Salvador
Isabel Tinel atua como agente da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) e faz história ao se tornar a primeira e, até agora, única mulher a integrar o Grupo de Ações Rápidas no Trânsito (GART), equipe formada por 22 profissionais. Com presença firme nas ruas da capital baiana, ela trabalha diariamente para fortalecer a segurança viária e contribuir para um trânsito mais organizado, humano e eficiente para todas as pessoas.
A rotina de Isabel se divide em duas frentes essenciais: o patrulhamento e a escolta. No patrulhamento, ela circula por pontos estratégicos da cidade, identifica situações que podem comprometer a fluidez do tráfego e age rapidamente para prevenir congestionamentos, reduzir riscos e apoiar quem precisa de orientação. Já na escolta, função que exige atenção máxima, ela acompanha autoridades em deslocamentos oficiais, garantindo que o trajeto ocorra com segurança e pontualidade.
Para cumprir essa missão, Isabel coloca em prática agilidade, precisão e tomada de decisão em tempo real. Em alguns momentos, ela precisa acelerar sobre duas rodas para organizar o fluxo e abrir caminho de forma responsável. Como o trânsito é imprevisível, ela também gerencia imprevistos, como acidentes e bloqueios inesperados, traçando rotas alternativas e coordenando ações para manter a operação segura e eficiente.
A atuação na escolta é uma fase recente na carreira da agente. Antes, ela se dedicava exclusivamente ao patrulhamento. Para conquistar a nova função, Isabel encarou um processo intenso de preparação, com cerca de três meses de treinamentos específicos. Ela passou a integrar o grupo de escoltas oficiais no início deste ano, após demonstrar técnica, disciplina e preparo emocional.
“É algo novo para mim. A escolta é um grupo pequeno e bastante fechado e eu buscava participar há algum tempo”, contou. Para alcançar esse objetivo, ela treinou com motos diferentes: uma 300 cilindradas, usada no patrulhamento, e uma 750 cilindradas, utilizada na escolta. Como cada modelo exige um tipo de condução, controle e postura, ela buscou qualificação específica para atuar com excelência em ambas as frentes.
Sua primeira missão na escolta aconteceu durante a Lavagem do Bonfim deste ano, uma das celebrações mais tradicionais e movimentadas de Salvador. Isabel ficou responsável por garantir que autoridades chegassem com segurança e sem atrasos à Colina Sagrada. Ela admite que o nervosismo apareceu, mas não impediu seu desempenho. “Fiquei muito ansiosa. No dia anterior, quase não consegui dormir. Cheguei bastante nervosa, querendo dar o meu melhor”, relembrou, destacando a experiência como dinâmica e marcante.
Com cinco anos de Transalvador, Isabel também carrega uma trajetória de superação. Ao tomar posse no órgão, ela tinha habilitação apenas para carro. Mesmo assim, decidiu avançar: conquistou a habilitação para moto e manteve uma rotina disciplinada de treinos, conciliando trabalho e preparação constante. O incentivo da equipe e a própria vontade de abrir caminhos impulsionaram essa conquista.
Ela lembra que sempre gostou de moto, mas adiou esse sonho por preocupação familiar. “Quando completei 18 anos, minha mãe não deixou, dizia que era perigoso”, contou. Ao conhecer de perto o trabalho da escolta, ela se motivou ainda mais e assumiu o desafio de quebrar barreiras. “Pensei: por que não abrir espaço para mulheres nesse tipo de trabalho?”, afirmou.
Isabel reforça que sua missão vai além da fiscalização: ela atua para garantir direitos, segurança e bem-estar coletivo. Ela reconhece que nem sempre as pessoas compreendem a importância das ações no trânsito, mas mantém o foco no serviço público. “Nosso objetivo é servir à população como um todo”, disse. E mesmo diante de críticas, ela valoriza quando consegue orientar, ajudar e receber reconhecimento.
Dentro da instituição, o apoio tem sido essencial para fortalecer sua caminhada. E fora dela, os elogios também chegam. “É difícil ver mulheres na motocicleta, ainda mais com agilidade no trânsito”, destacou. Com coragem e competência, Isabel acelera rumo a um futuro mais inclusivo, mostrando que o trânsito também é espaço de protagonismo, técnica e liderança para todas as pessoas.







