Aumento Expressivo: Corridas por App Sobem 65% em um Ano
Os preços das corridas por aplicativo, como Uber e 99, dispararam no Brasil, gerando uma onda de insatisfação entre os usuários. Dados oficiais do IPCA revelam que, em 12 meses até novembro, o custo desse serviço acumulou uma alta impressionante de 65%, superando até a inflação do café, que ficou em 42%.
A situação se mostra ainda mais crítica em determinadas localidades. No Distrito Federal, por exemplo, o reajuste chegou a 87% no mesmo período. Em São Paulo, a alta foi de 60%. Esse cenário tem inundado as redes sociais de relatos de consumidores indignados, que se veem pagando valores considerados abusivos por trajetos curtos.
A escalada motivou uma ação formal do Procon Paulistano, que notificou as empresas Uber e 99. O órgão pede esclarecimentos urgentes sobre a política de preços dinâmicos e a alta repentina das tarifas, especialmente visível desde novembro. As companhias têm até 22 de dezembro para responder.
De acordo com a diretoria do Procon, o diálogo com outros órgãos pelo Brasil confirma que o problema é nacional. O aumento expressivo de queixas ganhou força após a greve dos motoristas de ônibus em São Paulo, quando a demanda por transporte alternativo cresceu vertiginosamente.
Curiosamente, os custos operacionais ligados ao automóvel não justificam o salto. Dados do IBGE mostram que, nos últimos 12 meses, a gasolina subiu apenas 2,22%, carros usados ficaram mais baratos e a manutenção teve deflação. Os preços sobem em um contexto de oferta e demanda.
As empresas atribuem a inflação justamente à “alta demanda”. A Uber afirmou que seu sistema de preços dinâmicos, regido por algoritmos, ajusta os valores em tempo real para equilibrar a oferta de motoristas com a procura por viagens. A 99 optou por se manifestar através da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que citou fatores como tempo, distância e nível de demanda como influenciadores do preço final.
O Procon Paulistano questiona a transparência dessa prática. A notificação exige que as plataformas detalhem a justificativa técnica para a precificação dinâmica, expliquem quais medidas evitam preços abusivos, informem se há um teto tarifário e esclareçam como comunicam as mudanças ao usuário. A falta de resposta adequada pode acarretar multas e até a suspensão das atividades.
O episódio coloca em evidência a necessidade de maior clareza e regulação sobre os critérios de formação de preço nos aplicativos, assegurando um equilíbrio justo entre a rentabilidade do serviço e o direito do consumidor a tarifas razoáveis.
[Imagem: Uma foto realista em close de um smartphone aberto no aplicativo de um serviço de transporte, mostrando a tela de solicitação de corrida com o valor da tarifa em destaque. Ao fundo, desfocado, vê-se o interior de um carro moderno. A imagem é retangular, em alta resolução, e transmite a ideia de custo e decisão no cotidiano urbano.






