Bahia inova no SUS com robô virtual integrado à saúde pública
A Bahia dá um passo importante na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS) e reforça o seu papel de referência nacional em transformação digital. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) implantou um robô virtual de conversação integrado ao AGHUse, sistema oficial de gestão ambulatorial e hospitalar da rede estadual. A iniciativa marca um movimento pioneiro dentro do SUS e mostra como a tecnologia pode atuar diretamente na organização do atendimento, na redução de falhas e no cuidado com as pessoas.
O objetivo inicial do projeto é simples, mas extremamente estratégico: diminuir o número de faltas em consultas ambulatoriais, principalmente nas agendas de especialistas, onde cada horário perdido representa uma oportunidade desperdiçada de cuidado. Quando uma pessoa não comparece, outra deixa de ser atendida. Quando esse cenário se repete, filas crescem, a rede fica sobrecarregada e o acesso se torna mais difícil. Ao enfrentar esse desafio com inteligência e automação, o estado melhora a eficiência do sistema e amplia as chances de que mais pacientes recebam atendimento no tempo certo.
A ferramenta já funciona em uma unidade piloto: o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana. Nesse primeiro momento, o robô envia lembretes automáticos pelo WhatsApp, avisando sobre a consulta com antecedência de sete e três dias. Esse contato direto reduz esquecimentos, reforça a importância do comparecimento e cria uma comunicação mais próxima com quem depende do serviço público para cuidar da saúde.
Além de lembrar, o robô também facilita decisões. Caso a pessoa não consiga ir à consulta, ela pode cancelar ou reagendar o atendimento. O sistema permite escolher nova data e horário conforme a disponibilidade real registrada no AGHUse. Isso torna o processo mais ágil, evita ligações demoradas, diminui filas de atendimento e ajuda a manter as agendas sempre atualizadas. Na prática, a tecnologia transforma tempo perdido em oportunidade de atendimento para outras pessoas que aguardam na fila.
A Sesab já planeja ampliar a automatização para outras unidades estaduais. A previsão é que, até meados de fevereiro, a integração chegue aos ambulatórios do Hospital Geral do Estado (HGE), do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), do Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred) e do Centro Estadual de Oncologia (Cican). Com isso, a rede ganha escala e fortalece uma estratégia que combina inovação, organização e cuidado contínuo.
A secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, reforçou que o investimento em tecnologia vem revolucionando o acesso e a gestão dos serviços no estado. Ao consolidar esse modelo, a Bahia apresenta uma forma moderna de organizar o atendimento ambulatorial, com mais controle, mais previsibilidade e mais respeito ao tempo das pessoas. O planejamento é expandir a integração para todos os ambulatórios que utilizam o AGHUse ainda este ano, tornando a iniciativa uma política pública estruturada e permanente.
E os benefícios não se limitam ao agendamento de consultas. A Sesab já utiliza a ferramenta em diferentes frentes, como ouvidoria, atendimento humano e comunicação rápida com públicos estratégicos. Isso inclui pacientes, profissionais de saúde e gestores municipais, criando uma rede de contato mais eficiente e com respostas mais rápidas. Essa comunicação integrada fortalece a confiança no sistema e contribui para decisões mais bem informadas no dia a dia da gestão pública.
Os próximos passos ampliam ainda mais o impacto. A secretaria avança na criação de novas funcionalidades ligadas ao AGHUse, como o envio de pesquisas de satisfação após a alta hospitalar e avaliações pós-consulta ambulatorial. Essas informações ajudam a identificar pontos de melhoria, corrigir gargalos e valorizar o olhar de quem utiliza o serviço. Quando a população participa, o SUS se fortalece.
Também estão previstas integrações com sistemas estratégicos, como o Sistema de Regulação Ambulatorial (SRA), lembretes para doadores da Fundação Hemoba, notificações sobre retirada de medicamentos e módulos voltados para exames e cirurgias. Com essas evoluções, a Bahia mostra que inovação não é apenas digitalizar processos, mas criar soluções práticas para ampliar acesso, reduzir atrasos e garantir mais cuidado, com mais eficiência e mais humanidade.
Fonte: A Tarde







