Bancos projetam piora da inadimplência apesar do Desenrola
A inadimplência deve continuar em trajetória de deterioração no terceiro trimestre, embora em ritmo menos intenso do que o observado nos três meses anteriores. A avaliação foi feita por instituições financeiras que atuam no Brasil e participaram de uma pesquisa divulgada pelo Banco Central.
O levantamento ouviu 70 instituições financeiras entre os dias 13 e 31 de julho. Mesmo com a nova etapa do programa Desenrola, criado pelo governo federal para facilitar a renegociação de dívidas e reduzir o endividamento das famílias, os bancos ainda demonstram cautela em relação ao comportamento da inadimplência.
Segundo a pesquisa, durante o segundo trimestre a inadimplência permaneceu entre os principais fatores que limitaram a oferta de crédito no país. O cenário foi especialmente percebido nas operações destinadas às pessoas físicas, principalmente nas linhas voltadas ao consumo.
Nesse segmento, as instituições registraram maior restrição na concessão de crédito ao longo do segundo trimestre. Para o terceiro trimestre, a expectativa apresentada pelos bancos é de um aperto ainda maior, influenciado pela menor tolerância ao risco e por outros fatores considerados relevantes na análise das operações.
Apesar desse ambiente mais cauteloso, as instituições financeiras reconhecem que as condições favoráveis do mercado de trabalho podem ajudar a reduzir parte dos efeitos negativos esperados. A manutenção do emprego e da renda tende a contribuir para que consumidoras e consumidores preservem alguma capacidade de pagamento, mesmo diante de um cenário de crédito mais seletivo.
A nova etapa do Desenrola permanece aberta para renegociação de dívidas até 31 de agosto. O programa busca oferecer condições facilitadas para que pessoas endividadas regularizem suas pendências e recuperem capacidade de acesso ao sistema financeiro.
Ao mesmo tempo, o ambiente de juros elevados continua influenciando as decisões das instituições financeiras. A política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para controlar a inflação também contribuiu para um aperto na oferta de crédito direcionado às empresas.
De acordo com os bancos consultados, essa postura mais restritiva deve permanecer durante o terceiro trimestre. Assim, tanto consumidores quanto empresas podem enfrentar critérios mais rigorosos para obter novos financiamentos, empréstimos ou outras modalidades de crédito.
A pesquisa do Banco Central mostra, portanto, que o sistema financeiro ainda observa com atenção os riscos associados à inadimplência. Embora programas de renegociação, como o Desenrola, possam aliviar parte do endividamento, as instituições continuam considerando a capacidade de pagamento, o nível de risco e as condições econômicas antes de ampliar a oferta de crédito.
O resultado indica que a melhora da inadimplência não é esperada de forma imediata pelas instituições consultadas. Mesmo com mecanismos de renegociação disponíveis, a percepção predominante continua sendo de cautela. Nesse contexto, a evolução do crédito dependerá do comportamento da economia, do emprego e da capacidade de pagamento das famílias.







