Bragantino pune zagueiro por fala machista contra árbitra
Red Bull Bragantino anunciou nesta segunda-feira que aplicou multa ao zagueiro Gustavo Marques após declarações machistas dirigidas à árbitra Daiane Muniz, feitas depois da partida contra o São Paulo. O clube informou que a punição corresponde a cinquenta por cento dos vencimentos do atleta e que ele também ficará fora do próximo jogo da equipe, diante do Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro, na quarta-feira.
Em nota oficial, o Bragantino explicou que o valor arrecadado com a multa será destinado à ONG Rendar, organização que apoia mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista. A direção afirmou que a medida busca reforçar o compromisso institucional com respeito, responsabilidade e promoção de um ambiente esportivo mais inclusivo, destacando que atitudes discriminatórias não representam os valores do clube.
As falas ocorreram no sábado, logo após a derrota para o São Paulo pelo Campeonato Paulista. Em entrevista a uma equipe de televisão, Gustavo Marques questionou a escolha da arbitragem e afirmou que partidas desse porte não deveriam ter uma mulher no comando. O jogador disse que o resultado frustrou o elenco e que, na visão dele, a arbitragem teria prejudicado o desempenho do time na busca por vaga nas fases finais.
Horas depois, o atleta publicou mensagem nas redes sociais pedindo desculpas. Ele declarou que estava irritado e decepcionado com o resultado, reconheceu que falou de forma inadequada e afirmou que a frustração não justifica a atitude. Marques pediu desculpas a todas as mulheres e especialmente à árbitra Daiane Muniz, acrescentando que pretende aprender com o episódio e evoluir como pessoa e profissional.
A Federação Paulista de Futebol também se manifestou rapidamente. Em comunicado, a entidade afirmou ter recebido a entrevista com indignação e classificou a declaração como machista e incompatível com os princípios do esporte e da sociedade. A federação ressaltou que questionar a capacidade de arbitragem com base em gênero é inaceitável e destacou que possui dezenas de árbitras e assistentes em atividade, trabalhando para ampliar a participação feminina no futebol.
Por fim, a FPF informou que encaminhará o caso à Justiça Desportiva para análise e eventuais providências. O episódio reacendeu o debate sobre respeito, igualdade e responsabilidade de atletas em entrevistas públicas, além da importância de combater manifestações preconceituosas no ambiente esportivo.
Casos semelhantes têm levado clubes, federações e torcedores a discutir medidas educativas, códigos de conduta e ações preventivas para promover cultura de respeito no futebol profissional e nas categorias de base. Especialistas defendem que punições, campanhas e formação contínua ajudam a reduzir episódios discriminatórios e fortalecem valores de inclusão, diversidade e fair play. O acompanhamento institucional e o diálogo com atletas são apontados como caminhos para transformar crises em aprendizado coletivo duradouro e responsável para o futuro do esporte, incentivando práticas mais conscientes dentro e fora de campo.
Fonte: Agência Brasil







