Brasil acolhe turistas e reforça diálogo
O governo brasileiro informou que cerca de 100 pessoas do Brasil, que estavam na Venezuela a turismo, cruzaram a fronteira em direção a Roraima após os ataques realizados pelos Estados Unidos contra o país vizinho. As autoridades brasileiras acompanharam toda a movimentação e reforçaram o compromisso de proteger a comunidade nacional no exterior, garantindo acolhimento e informações atualizadas.
A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, afirmou que a embaixada em Caracas segue monitorando a situação de forma contínua. Segundo ela, não há registro de brasileiras ou brasileiros feridos. O cuidado com quem vive ou está temporariamente na Venezuela permanece como prioridade, e as orientações oficiais destacam que canais diplomáticos estão abertos para quem desejar apoio.
Maria Laura assumiu interinamente o comando da pasta enquanto o chanceler Mauro Vieira retornava de férias para Brasília, a fim de acompanhar os desdobramentos. No Itamaraty, ocorreu uma nova reunião emergencial coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também participaram representantes da Defesa, Justiça, Comunicação e Casa Civil, além da embaixadora do Brasil na Venezuela. O objetivo foi alinhar informações, avaliar cenários e definir estratégias que reforcem a segurança e a proteção da cidadania brasileira.
O ministro da Defesa, José Múcio, explicou que a fronteira entre os dois países permanece aberta e com clima de tranquilidade. Ele orientou que quem desejar retornar ao Brasil busque apoio junto às representações diplomáticas, que seguem atuando de forma articulada.
Questionada sobre a liderança política na Venezuela diante da ausência do presidente Nicolás Maduro, Maria Laura explicou que o Brasil reconhece a vice-presidente Delcy Rodríguez como responsável interina pelo governo local. A diplomacia brasileira reforçou ainda que o país participará da reunião ministerial da Celac e também da sessão do Conselho de Segurança da ONU, onde defenderá o respeito ao direito internacional e a soberania dos Estados.
O presidente Lula afirmou que o uso da força militar representa violação das normas internacionais e defendeu soluções baseadas no diálogo, na negociação e na cooperação entre nações. Essa posição acompanha a tradição diplomática brasileira, sempre contrária a intervenções armadas e favorável à construção pacífica de soluções.
O episódio reacende debates históricos sobre a relação entre os Estados Unidos e países latino-americanos. A última intervenção direta dos EUA na região havia ocorrido em 1989, no Panamá. Agora, acusações contra o governo venezuelano voltam a ganhar destaque. Críticos da ação norte-americana afirmam que interesses geopolíticos e econômicos também se conectam ao cenário, especialmente por conta das grandes reservas de petróleo venezuelanas.
Enquanto os temas geopolíticos seguem em debate no cenário internacional, o Brasil concentra esforços na proteção de sua população e na promoção de caminhos diplomáticos. A ideia central do governo é contribuir para um ambiente de estabilidade na região, respeitando princípios democráticos, a autodeterminação dos povos e os direitos humanos.
Para quem está na Venezuela, o Itamaraty mantém comunicação ativa e orienta todas as pessoas brasileiras a registrarem seus dados nos canais oficiais, facilitando a identificação de necessidades e a oferta de apoio.
Em um momento delicado, o Brasil reafirma seu compromisso com a paz, com a cooperação entre países e com o cuidado à sua gente onde quer que ela esteja.
Fonte: Ag6encia Brasil







