Brasil apresenta primeiro caça Gripen produzido no país
Saab e Embraer apresentam no Brasil o primeiro caça F-39 Gripen produzido em território nacional, marco relevante para a indústria de defesa e para a modernização da Força Aérea Brasileira. A aeronave, que será exibida em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, simboliza o avanço tecnológico obtido por meio da parceria estratégica entre a empresa sueca Saab e a brasileira Embraer. Até então, os modelos em operação no país eram importados, com fabricação concentrada na Suécia, o que tornava limitada a participação nacional nas etapas produtivas mais complexas e sensíveis do processo produtivo e desenvolvimento tecnológico avançado nacional contínuo estratégico
Com a apresentação desta unidade, o programa Gripen no Brasil entra em nova fase, consolidando a transferência de tecnologia e a capacitação de profissionais brasileiros. O contrato firmado prevê a aquisição de 36 aeronaves, em um investimento estimado em quatro bilhões de dólares. Atualmente, já existem doze unidades no país, sendo onze fabricadas na Suécia e esta primeira montada em solo nacional. A expectativa é que outras quinze aeronaves sejam produzidas pela Embraer no Brasil, ampliando a autonomia industrial e fortalecendo a cadeia produtiva ligada ao setor aeroespacial e de defesa com impacto em empregos qualificados e inovação tecnológica nacional
A parceria entre Saab e Embraer teve início em 2013, após disputa internacional que envolveu outras grandes fabricantes, como Boeing e Dassault. Desde então, o projeto avançou com foco na transferência de conhecimento e no desenvolvimento de competências locais. Mais de 300 engenheiros brasileiros participaram de treinamentos na Suécia, contribuindo diretamente para a internalização de tecnologias estratégicas. O programa também gerou mais de dois mil empregos diretos na produção e cerca de dez mil indiretos, evidenciando o impacto econômico positivo para o país e o fortalecimento da indústria nacional de alta complexidade tecnológica
O F-39 Gripen foi desenvolvido para substituir os antigos caças F-5, ampliando a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira. A aeronave incorpora sistemas avançados de defesa e ataque, com sensores de cobertura total, integração de dados em tempo real e tecnologias de guerra eletrônica. Entre seus recursos, estão alertas de aproximação de mísseis, identificação de ameaças por radar e capacidade de interferência em sistemas inimigos. Esses elementos garantem elevada consciência situacional ao piloto e aumentam significativamente a capacidade de resposta em cenários de defesa aérea
Entre os armamentos embarcados, destacam-se o míssil Meteor, de longo alcance além do campo visual, e o IRIS-T, voltado para combate em curta distância. O Meteor utiliza tecnologia de propulsão ramjet, que permite manter alta velocidade durante quase todo o trajeto, ampliando sua eficiência e alcance. Essa característica resulta em uma zona de não fuga superior à de outros sistemas, aumentando a eficácia em operações de combate. O Brasil já realizou testes com esse armamento, demonstrando a integração entre aeronave e sistemas de ataque de última geração
Em termos de desempenho, o F-39 Gripen pode atingir velocidades de até 2.500 quilômetros por hora, equivalente a aproximadamente Mach 2, ou duas vezes a velocidade do som. Sua autonomia de voo é de cerca de duas horas e meia, podendo ser ampliada com reabastecimento em voo. Em velocidade máxima, a aeronave é capaz de percorrer grandes distâncias em pouco tempo, como o trajeto entre São Paulo e Boa Vista em cerca de uma hora e quarenta minutos, evidenciando sua eficiência estratégica em missões de defesa territorial
Além das capacidades técnicas, o caça também desempenha papel importante na estratégia de dissuasão do país. No fim de fevereiro, a aeronave foi utilizada pela primeira vez em missão de Alerta de Defesa Aérea, a partir da Base Aérea de Anápolis, em Goiás. A operação consiste em manter o avião pronto para decolagem imediata, garantindo a proteção do espaço aéreo nacional. Segundo autoridades da Força Aérea Brasileira, o alto nível tecnológico do Gripen contribui para posicionar o Brasil em patamar avançado no cenário internacional de defesa
Com a produção do F-39 Gripen em solo brasileiro, o país passa a integrar um grupo restrito de nações com domínio sobre etapas estratégicas da fabricação de aeronaves de combate. Esse avanço representa não apenas ganho militar, mas também desenvolvimento industrial, científico e tecnológico. A iniciativa reforça a soberania nacional e amplia as possibilidades de inovação em diferentes áreas, consolidando o Brasil como referência regional em tecnologia de defesa e produção aeroespacial.
Fonte: Modais em Foco







