Brasil fecha 2025 com maior arrecadação anual da história
O Brasil encerrou 2025 com o maior volume de arrecadação federal já registrado desde o início da série histórica, iniciada em 2000. Segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira (22), a soma de impostos e contribuições federais atingiu R$ 2,887 trilhões no acumulado do ano. O resultado representa um crescimento real de 3,75% em relação a 2024, já descontada a inflação do período, reforçando a tendência de recuperação e fortalecimento da receita pública.
O número ficou muito próximo do que o mercado financeiro projetava. A mediana da pesquisa Projeções Broadcast apontava uma arrecadação de R$ 2,885 trilhões, enquanto as estimativas variavam entre R$ 2,876 trilhões e R$ 2,913 trilhões. Mesmo com diferenças pequenas entre os cenários, o fechamento de 2025 confirma o desempenho acima do esperado e consolida o recorde anual.
No relatório oficial, a Receita Federal destacou o avanço real de 20,54% nas receitas obtidas com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que somaram R$ 86,477 bilhões no ano. O órgão atribui parte desse desempenho ao aumento de alíquotas e também ao comportamento das operações relacionadas à saída de moeda estrangeira, ao crédito destinado a pessoas jurídicas e à movimentação de títulos e valores mobiliários.
De acordo com a Receita, as alterações legislativas e o cenário econômico contribuíram para o crescimento do imposto. O relatório ressalta que, diante de mudanças na tributação, algumas operações passaram a gerar maior impacto na arrecadação, o que ajudou a impulsionar o resultado anual.
Outro ponto relevante foi o crescimento real da receita previdenciária, que avançou 3,27% acima da inflação e alcançou R$ 737,571 bilhões. A Receita explica que o aumento foi influenciado principalmente pela massa salarial, pelo desempenho do mercado de trabalho e também pela reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha de pagamentos, o que ampliou o recolhimento.
O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos do trabalho também apresentou crescimento expressivo. O total arrecadado chegou a R$ 235,396 bilhões, alta real de 5,75%. A Receita atribui esse desempenho ao avanço nos rendimentos do trabalho assalariado, que subiram 5,86%, e ao crescimento das aposentadorias, que tiveram aumento de 8,50%.
No caso do IRRF sobre rendimentos de capital, houve elevação de 6,42%, com arrecadação de R$ 162,594 bilhões. O principal fator foi o crescimento de 23,67% relacionado às aplicações de renda fixa, que tiveram maior peso no recolhimento. Já o IRRF sobre rendimentos no exterior cresceu 12,91%, totalizando R$ 86,202 bilhões. Outros rendimentos também registraram avanço, chegando a R$ 23,846 bilhões, alta de 8,17%.
A arrecadação da Cofins somou R$ 458,053 bilhões, com aumento real de 3,13%, enquanto o PIS/Pasep avançou 2,65%, alcançando R$ 123,893 bilhões. Esses dados reforçam o crescimento do consumo, da atividade econômica e das receitas de setores que influenciam diretamente esses tributos.
Em dezembro, a Receita Federal informou que a arrecadação mensal foi de R$ 292,724 bilhões, acima da mediana das projeções de mercado, que era de R$ 290,10 bilhões. As estimativas variavam de R$ 282,40 bilhões a R$ 320,0 bilhões. O resultado também foi superior ao de novembro, quando a arrecadação ficou em R$ 226,753 bilhões.
Na comparação com dezembro de 2024, o avanço real foi de 7,46%, já descontada a inflação. Segundo a Receita, esse foi o maior resultado para meses de dezembro desde 2000, considerando valores corrigidos. O órgão destacou novamente o desempenho do IOF, que cresceu 26,72% no comparativo anual e totalizou R$ 8,669 bilhões no mês, influenciado pela elevação das alíquotas definida pelo governo em meados do ano.
A receita previdenciária em dezembro subiu 4,45% em termos reais, chegando a R$ 93,501 bilhões, impulsionada pelo crescimento de 5,36% da massa salarial. A Receita também apontou aumento nas compensações tributárias com débitos previdenciários e reforçou o efeito da reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios.
Por fim, a arrecadação de PIS/Pasep e Cofins em dezembro totalizou R$ 10,724 bilhões, com alta real de 3,43%. O desempenho refletiu a combinação entre variações no volume de vendas, crescimento no setor de serviços, resultados das empresas e mudanças na arrecadação sobre importações. O IRRF-Capital somou R$ 32,701 bilhões, com aumento real de 22,70%, puxado principalmente pelo crescimento de 29,23% na arrecadação com aplicações de renda fixa.
A Receita também citou os efeitos temporários da Medida Provisória 1.303, que alterava regras de tributação e ficou em vigor por mais de três meses antes de ser derrubada pelo Congresso. Mesmo com a revogação, a MP teve impacto relevante no período em que esteve válida, influenciando parte do desempenho observado na arrecadação federal.
Fonte: Modais em Foco







