Brasil supera 25 mil pontos de recarga elétrica
O Brasil ultrapassou a marca de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos eletrificados, consolidando um avanço relevante na infraestrutura nacional de eletromobilidade. Segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, ABVE, em parceria com a Tupi Mobilidade, o país chegou ao fim de maio de 2026 com 25.455 carregadores instalados. O resultado representa crescimento de 20,9% em relação a fevereiro, quando a rede contabilizava 21.060 pontos.
A expansão foi impulsionada principalmente pela recarga rápida, conhecida como DC. Em apenas três meses, esse tipo de equipamento cresceu 32,8%, passando de 6.479 para 8.606 unidades. Com isso, sua participação na rede nacional subiu de 30,8% para 33,8%. O avanço indica uma demanda maior por carregadores de alta potência, especialmente em corredores rodoviários, centros comerciais, postos de serviço e áreas de grande circulação.
A recarga lenta, chamada de AC, também retomou ritmo de crescimento. O número de carregadores dessa categoria subiu de 14.582 para 16.836 unidades entre fevereiro e maio, alta de 15,5% no trimestre. O desempenho chama atenção porque, no levantamento anterior, a recarga AC havia crescido 17,6% em doze meses, praticamente o mesmo patamar agora registrado em um intervalo bem menor.
Atualmente, os carregadores AC representam 66% da infraestrutura nacional, enquanto os equipamentos DC respondem por 34%. Para o setor, os dados mostram uma nova etapa de expansão, com maior equilíbrio entre soluções residenciais, pontos semipúblicos e estruturas voltadas a viagens mais longas. Isso reduz inseguranças de motoristas que avaliam veículos eletrificados.
Parte da retomada da recarga AC pode estar ligada ao avanço regulatório. Em São Paulo, a Lei 18.403/2026 passou a garantir o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios. A medida remove uma barreira importante para moradores de edifícios residenciais que desejam carregar seus veículos em casa.
Segundo Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, o trimestre foi marcado por dois movimentos: a recuperação da recarga lenta e a escalada da infraestrutura de alta potência. Ele destacou que os carregadores rápidos começam a ser puxados por uma nova geração de equipamentos ultrarrápidos, com potência de até 480 kW e múltiplas posições de recarga.
No recorte regional, o Norte teve o maior crescimento proporcional, com expansão de 31,1% no total de pontos, passando de 657 para 861. A região também liderou a alta da recarga rápida, com crescimento de 51% nos carregadores DC, de 312 para 471 unidades.
Centro-Oeste e Sul vieram em seguida, com crescimentos totais de 23,7% e 23,4%. O Sudeste, que concentra a maior base instalada, avançou 18,1% e chegou a 11.079 carregadores. A expansão dos pontos rápidos superou 35%, reforçando a mudança de perfil da rede brasileira.
A infraestrutura também se interiorizou. O número de municípios com pontos de recarga subiu de 1.649 para 1.832, alta de 11,1%. O movimento mostra que a eletromobilidade avança além das capitais, alcançando cidades médias, polos turísticos e corredores logísticos. Na prática, a rede cresce em volume, potência e capilaridade, acompanhando a transformação da mobilidade brasileira no país.







