Carol Xavier é coroada Deusa do Ébano do Ilê Aiyê 2026
A Senzala do Barro Preto, no Curuzu, voltou a pulsar como um dos grandes templos da cultura afro-brasileira em Salvador. Na noite deste sábado, 17, o Ilê Aiyê realizou a 45ª edição da Noite da Beleza Negra e coroou Caroline Xavier de Almeida, conhecida como Carol Xavier, como a nova Deusa do Ébano 2026. Com a vitória, ela assume um título que celebra a força coletiva do povo negro, honra trajetórias de resistência e reafirma a beleza como expressão de identidade, orgulho e pertencimento.
O evento transformou o espaço em um território de memória viva. O público acompanhou uma cerimônia que vai muito além de um concurso: a Noite da Beleza Negra reúne arte, ancestralidade, performance e consciência social, reforçando que cada corpo negro em cena carrega histórias, símbolos e conquistas. A celebração dialogou diretamente com o tema do Carnaval do Ilê Aiyê em 2026, “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, ampliando o olhar sobre lutas e alianças históricas entre povos que constroem o Brasil com coragem e dignidade.
Quinze mulheres negras ocuparam o palco e conduziram uma noite marcada por dança, expressividade e emoção. Elas mostraram talento, presença e entrega, reafirmando que a estética negra não se limita a padrões impostos: ela nasce da liberdade, do cuidado com a própria história e da valorização de raízes que atravessam gerações. Cada apresentação trouxe energia, brilho e mensagem, fortalecendo a ideia de que a beleza também é política quando afirma direitos, visibilidade e respeito.
A vencedora tem 27 anos, estuda Jornalismo, ensina dança afro para crianças e também atua como rainha do Malê Debalê. Moradora de Sussuarana, Carol voltou ao concurso pela terceira vez e emocionou quem acompanhava a cerimônia ao revelar o significado pessoal e comunitário do sonho que ela carregava. Ao conquistar a coroa, ela reafirmou que deseja inspirar outras pessoas, especialmente crianças negras, a acreditarem em seus caminhos e reconhecerem seu valor desde cedo.
Em seu discurso, Carol destacou a força da autoestima e a importância de construir referências positivas para o futuro. “Quero reforçar a importância da elevação da autoestima, principalmente para as crianças negras, e mostrar para a minha filha que podemos alcançar lugares mais altos do que imaginamos”, afirmou, recebendo aplausos e demonstrando que a vitória representa também um compromisso com as novas gerações.
O segundo lugar ficou com Sarah Moraes dos Santos, de 28 anos, auxiliar administrativa e também moradora de Sussuarana. Em sua segunda participação, ela celebrou o Ilê Aiyê como um espaço de reconexão com a ancestralidade e de fortalecimento do pertencimento, destacando o bloco como guardião da memória negra e da identidade cultural.
A terceira colocação foi conquistada por Stephanie Ingrid Silva Sousa de Deus, de 24 anos, dançarina, coreógrafa e arte-educadora, moradora do Nordeste de Amaralina. Em sua terceira passagem pelo concurso, Stephanie reforçou que o título de Deusa do Ébano representa consciência, trajetória e compromisso com a cultura negra, ultrapassando qualquer visão limitada sobre beleza.
A cerimônia contou com roteiro e direção artística de Ridson Reis. Carol recebeu a coroa das mãos de Lorena Bispo, Deusa do Ébano 2025, em um momento simbólico de continuidade, celebração e reconhecimento da realeza negra que o Ilê Aiyê mantém viva em cada Carnaval.
Fonte: A Tarde







