Carro voador em SP: primeiros voos devem começar em 2027
São Paulo pode viver uma nova era da mobilidade urbana até o fim de 2027. A capital paulista deve receber os primeiros voos comerciais com eVTOLs veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, conhecidos popularmente como “carros voadores”. A proposta é simples e revolucionária: qualquer pessoa poderá solicitar um trajeto pelo aplicativo, de forma parecida com os serviços de transporte por corrida que já fazem parte do cotidiano.
A operação ficará sob responsabilidade da Revo, empresa que já atua na cidade com voos de helicóptero e serviços premium de deslocamento rápido. Hoje, por exemplo, um trajeto da Avenida Faria Lima até o Aeroporto de Guarulhos custa em torno de R$ 2,7 mil e leva menos de 10 minutos. Esse valor inclui o voo e também um transfer terrestre com motorista particular, além de outras comodidades que tornam a experiência mais completa.
Quando os eVTOLs começarem a operar, a Revo pretende manter o mesmo preço inicial. A empresa vai lançar o serviço como novidade e avaliar a demanda real, o comportamento do público e a dinâmica do mercado. Ainda assim, o CEO da companhia, João Welsh, afirma que a tendência é de queda gradual. Segundo ele, o valor pode diminuir entre 20% e 30% ao longo dos anos, à medida que a operação amadurecer e o serviço ganhar escala.
Welsh explica que o custo operacional do eVTOL é menor do que o de aeronaves tradicionais, o que abre espaço para ampliar o alcance do serviço no médio e longo prazo. Ele reconhece que novas tecnologias geralmente começam atendendo um público com maior poder aquisitivo, mas ressalta que, com o tempo, o acesso tende a se tornar mais amplo. Para ele, a mobilidade aérea elétrica pode seguir um caminho semelhante ao de outras transformações no transporte, que inicialmente pareciam exclusivas e depois se popularizaram.
Além do ganho de tempo, o eVTOL também traz benefícios ambientais e urbanos. A aeronave transporta quatro passageiros, além do piloto, e opera com emissão local de carbono zero. Outro ponto importante é a redução de ruído em comparação com helicópteros. Isso impacta não apenas quem embarca, mas também quem vive na cidade e convive diariamente com o movimento intenso de aeronaves.
O contrato entre Revo e Eve Air Mobility empresa ligada à Embraer envolve US$ 250 milhões para a compra de 50 aeronaves. O investimento será feito em etapas, com entregas fracionadas. A empresa não receberá todos os veículos de uma vez: o plano prevê lotes pequenos no início, ampliando gradualmente conforme a operação evolui. O processo exigiu cerca de 18 meses de negociações e planejamento, e a expectativa é que os eVTOLs se tornem o núcleo do negócio no futuro.
O modelo desenvolvido pela Eve usa o conceito “lift + cruise”, com rotores dedicados à subida e descida vertical e asas fixas para o voo horizontal. O sistema utiliza oito rotores para elevação e um motor traseiro para cruzeiro, aumentando redundância e segurança. A autonomia prevista gira em torno de 100 km por carga, com velocidade média de aproximadamente 200 km/h, ideal para rotas curtas em regiões metropolitanas.
No mundo, o mercado ainda está em fase pré-operacional, sem serviços regulares em larga escala. Mesmo assim, a Eve já soma milhares de unidades em cartas de intenção, indicando interesse global. No Brasil, normas específicas da Anac também ajudam a preparar o caminho para essa nova forma de transporte urbano.
Fonte: Modais em Foco







