Censo Escolar aponta queda de matrículas na educação básica
O Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira divulgaram os dados preliminares do Censo Escolar 2025 e registraram redução de 1,082 milhão de matrículas na educação básica em relação a 2024. Neste ano, foram contabilizados 46,018 milhões de estudantes distribuídos em 178,76 mil escolas públicas e privadas em todo o país. Em 2024, o total havia sido de 47.088.922 alunos, o que representa queda de 2,29%.
De acordo com o Inep, a redução não indica retrocesso no acesso à escola. O coordenador de Estatísticas Educacionais da Diretoria de Estatísticas Educacionais, Fábio Pereira Bravin, explicou que o principal fator é a diminuição da população em idade escolar, especialmente nas faixas de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE mostram que a população de 0 a 3 anos recuou 8,4% entre 2022 e 2025.
Apesar da retração demográfica, os indicadores de atendimento avançaram. A taxa de frequência escolar das crianças de até 3 anos aumentou 4,3 pontos percentuais entre 2019 e 2024, alcançando 39,8%. Nessa faixa, a matrícula em creche não é obrigatória. Já entre 4 e 17 anos, etapa em que a frequência é obrigatória, a taxa chegou a 97,2% em 2024, indicando que o país praticamente universalizou o acesso à educação básica.
Outro fator apontado pelo MEC é a redução da distorção idade-série, que mede o percentual de estudantes fora da etapa adequada para sua idade. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, houve queda expressiva no ensino médio entre 2022 e 2025. No terceiro ano, a taxa caiu de 27,2% para 13,99%, o que representa redução de 61%. A diminuição das reprovações também contribuiu para reduzir o volume total de matrículas, já que menos estudantes permanecem retidos nas mesmas séries.
Para especialistas, a queda no número absoluto de alunos deve ser analisada à luz das mudanças demográficas e dos avanços nos indicadores educacionais. A superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, afirmou que o dado exige atenção, mas precisa ser contextualizado. Segundo ela, embora haja menos jovens, uma proporção maior está frequentando a escola, o que representa avanço no acesso.
Na educação infantil, o Censo registrou que 41,8% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches, o maior índice já alcançado e próximo da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação. Em 2025, foram criadas 48,5 mil novas vagas com apoio do governo federal. O Novo Programa de Aceleração do Crescimento prevê investimento de R$ 7,37 bilhões para a construção de 1.670 novas creches.
O levantamento também apontou avanços na conectividade escolar. O percentual de escolas com acesso à internet passou de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025. Entre 2023 e 2025, foram investidos R$ 3 bilhões em infraestrutura digital, elevando de 45% para 70% o número de escolas com conectividade adequada para uso pedagógico, especialmente nas redes estaduais e municipais.
Realizado anualmente pelo Inep, o Censo Escolar reúne informações sobre escolas públicas e privadas, professores, gestores, turmas e estudantes em todas as etapas e modalidades da educação básica, incluindo ensino regular, educação especial, educação de jovens e adultos e educação profissional.
Fonte: Agência Brasil







