Chery aposta em 1.500 km e bateria sólida já em 2026
A disputa pela próxima grande evolução dos carros elétricos ganhou um novo capítulo. A Chery anunciou que pretende colocar em circulação, já em 2026, um modelo equipado com bateria de estado sólido, tecnologia que promete elevar a autonomia e ampliar a segurança dos veículos. A marca chinesa divulgou números ambiciosos e afirmou que o carro poderá rodar até 1.500 quilômetros com uma única carga, mantendo desempenho consistente mesmo em temperaturas extremas de –30 ºC.
O projeto está ligado ao Liefeng, um shooting brake elétrico da Exeed, divisão premium da Chery no mercado chinês. Ainda em fase conceitual, o modelo foi apresentado como uma vitrine tecnológica para a bateria Rhino S, que a fabricante desenvolve em parceria com fornecedores locais. Com essa iniciativa, a empresa busca mostrar que a era das baterias sólidas pode deixar de ser apenas promessa e se tornar uma realidade comercial em curto prazo.
De acordo com a Chery, a bateria sólida deve alcançar densidade energética de até 600 Wh/kg, um patamar muito superior ao das baterias de íons de lítio utilizadas na maioria dos carros elétricos atuais. Hoje, as células mais comuns operam geralmente entre 160 e 250 Wh/kg, dependendo do tipo de química e da aplicação. Se os números se confirmarem em escala industrial, a diferença pode representar mais autonomia, menor peso e maior eficiência no conjunto, fatores que influenciam diretamente a experiência de quem dirige e também o custo operacional no dia a dia.
Além da autonomia, a empresa coloca no centro do discurso um tema que preocupa muita gente: o desempenho em clima frio. Em situações de baixas temperaturas, veículos elétricos convencionais podem perder uma parcela significativa do alcance, chegando em alguns casos a reduzir quase pela metade a autonomia indicada. A Chery afirma que, mesmo a –30 ºC, a bateria Rhino S manteria funcionamento estável e alcance próximo do nominal. Caso esse resultado se confirme fora do laboratório, a tecnologia pode se tornar um divisor de águas para mercados com invernos rigorosos e também para pessoas que precisam de previsibilidade em trajetos longos.
O Liefeng também aparece como um laboratório de performance. A fabricante cita uma arquitetura elétrica de 800 volts, que tende a favorecer carregamentos mais rápidos e maior eficiência energética. A proposta inclui ainda um motor capaz de girar a 30.000 rpm, aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos e velocidade máxima estimada em 260 km/h. Esses dados reforçam o caráter de demonstração tecnológica do conceito, que não necessariamente chegará ao mercado global exatamente com essas configurações, mas serve para posicionar a Exeed como marca de alta inovação.
O anúncio se encaixa em uma estratégia maior que a Chery vem construindo. Em dezembro de 2025, a Exeed já havia apresentado o ES8, outro shooting brake elétrico que prometia 1.000 km de autonomia com bateria sólida. Agora, ao falar em 1.500 km, a empresa sinaliza que pretende acelerar o desenvolvimento e ocupar espaço na corrida por uma tecnologia que diversas montadoras e fornecedores disputam há anos.
Segundo o cronograma divulgado, 2026 será o período de operação piloto. A Chery planeja colocar os primeiros veículos com bateria sólida em uso controlado, voltado para frotas específicas, como serviços de transporte por aplicativo e empresas de locação. Essa etapa é essencial porque permite coletar dados reais sobre desempenho, confiabilidade, degradação da bateria e comportamento em diferentes rotinas de carregamento. Se os testes confirmarem o que a empresa promete, a produção em escala maior pode começar em 2027.
Mesmo com o avanço, o mercado ainda observa a tecnologia com cautela. Especialistas destacam que baterias de estado sólido enfrentam desafios importantes, como custos elevados, processos industriais complexos e dificuldades para produção em larga escala. Nos primeiros anos, o preço por kWh tende a ser mais alto do que o das baterias atuais, o que pode limitar a adoção inicial a modelos premium ou aplicações específicas, até que a indústria consiga reduzir custos e ampliar a oferta.
Ainda assim, o movimento da Chery reforça uma tendência global: o ciclo entre 2026 e 2027 pode definir se as baterias sólidas finalmente sairão do discurso e ganharão as ruas. Para o mercado internacional e também para o Brasil, onde a marca atua com força por meio da Caoa Chery o recado é direto: a próxima grande batalha da eletrificação não será apenas por preço ou por velocidade de carregamento, mas por quem dominar primeiro a nova geração de baterias e transformar promessa em autonomia real.
Fonte: InsideEvs







