Desemprego sobe a 5,8% e renda bate recorde
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado representa uma alta em relação ao trimestre móvel encerrado em novembro, quando o índice era de 5,2%. Apesar da elevação no período recente, o indicador ainda se mantém em um dos menores patamares históricos para meses de fevereiro desde o início da série da Pnad Contínua, em 2012.
Na comparação anual, o cenário mostra melhora. No mesmo trimestre de 2025, a taxa de desocupação era de 6,8%, o que indica uma redução consistente ao longo dos últimos meses. Ainda assim, o avanço observado no início de 2026 chama atenção por refletir movimentos típicos do mercado de trabalho neste período do ano.
O levantamento aponta que o país registrou 102,1 milhões de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em fevereiro, enquanto 6,2 milhões estavam em busca de uma oportunidade de trabalho. No trimestre anterior, encerrado em novembro de 2025, havia 5,6 milhões de pessoas desocupadas, evidenciando o aumento recente no número de brasileiros procurando emprego.
Segundo o IBGE, a elevação da desocupação está relacionada principalmente à redução de postos de trabalho em áreas como saúde, educação e construção. Esse comportamento é explicado, em grande parte, por fatores sazonais, comuns na transição entre anos, quando contratos temporários são encerrados, especialmente no setor público.
A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, destaca que muitos vínculos nessas áreas são temporários e tendem a ser finalizados nesse período, o que impacta diretamente o nível de ocupação. Esse movimento, no entanto, não indica necessariamente uma tendência de deterioração do mercado, mas sim um ajuste esperado para a época.
Mesmo com a alta da taxa de desemprego, um dos principais destaques do levantamento é o crescimento do rendimento médio mensal dos trabalhadores. O valor chegou a R$ 3.679, o maior já registrado na série histórica. Esse rendimento apresenta aumento de 2% em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2025 e avanço de 5,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior, já considerando os efeitos da inflação.
De acordo com o IBGE, esse crescimento da renda está associado à maior demanda por trabalhadores e à ampliação da formalização, especialmente nos setores de comércio e serviços. O número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou em 39,2 milhões, mantendo estabilidade em relação aos períodos anteriores.
Já o contingente de trabalhadores por conta própria somou 26,1 milhões de pessoas, também estável na comparação trimestral, mas com aumento de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025. A taxa de informalidade atingiu 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores, ligeiramente abaixo do trimestre anterior.
A pesquisa considera pessoas a partir de 14 anos e abrange diferentes formas de ocupação, incluindo empregos formais, informais, temporários e atividades autônomas. Para ser considerada desocupada, a pessoa precisa ter buscado trabalho nos 30 dias anteriores à entrevista. O levantamento é realizado em cerca de 211 mil domicílios em todo o país.
Fonte: Agência Brasil







