Dólar recua e fecha em R$ 5,23 enquanto Bolsa reage ao alívio no cenário externo
O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana com um cenário de maior tranquilidade. Nesta segunda-feira, o dólar registrou queda expressiva diante do real, enquanto a Bolsa de Valores voltou a subir após dois dias consecutivos de perdas. O movimento foi influenciado principalmente por fatores externos, como a redução das tensões geopolíticas e a queda nas cotações internacionais do petróleo, que contribuíram para melhorar o humor dos investidores.
O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,229, com recuo de R$ 0,085, equivalente a uma queda de 1,60%. Durante a manhã, a moeda chegou a ser negociada próxima de R$ 5,28, mas perdeu força ao longo da tarde e terminou o pregão perto da mínima do dia. O comportamento acompanhou o desempenho da moeda norte-americana no mercado internacional, onde também houve perda de valor frente a outras divisas.
Mesmo com a queda registrada nesta sessão, o dólar ainda acumula alta de 1,87% no mês de março. No acumulado do ano, entretanto, a moeda apresenta desvalorização de 4,72% em relação ao real. Nos dois pregões anteriores, o dólar havia registrado forte valorização, superando o patamar de R$ 5,30 e atingindo o maior nível de fechamento desde o início de janeiro.
Analistas apontam que a diminuição da aversão global ao risco foi um dos fatores decisivos para o desempenho do real. A queda no preço do petróleo reduziu parte das preocupações dos investidores com o impacto econômico das tensões no Oriente Médio. Com esse cenário, moedas de países emergentes passaram a ser mais procuradas, e o real apresentou um dos melhores resultados entre essas economias.
No mercado de ações, o principal índice da B3 também reagiu positivamente. O Ibovespa avançou 1,25% e encerrou o pregão aos 179.875 pontos. Durante o dia, o índice chegou a ultrapassar momentaneamente a marca dos 181 mil pontos, mas perdeu parte do fôlego até o fechamento da sessão. Ainda assim, o resultado representou recuperação após duas quedas consecutivas observadas nos dias anteriores.
A melhora no desempenho das ações também refletiu o ambiente externo mais favorável. Nos últimos dias, os mercados globais vinham enfrentando forte volatilidade em razão das incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio e às possíveis consequências para o fornecimento mundial de petróleo. Com a redução dessas tensões, investidores passaram a reduzir posições defensivas e voltaram a buscar ativos de maior risco.
A queda nas cotações do petróleo teve papel central nesse processo. O contrato do petróleo tipo Brent para maio registrou recuo de 2,84% nas negociações internacionais. Apesar da queda diária, o barril ainda permanece acima de US$ 100 e acumula valorização próxima de 40% ao longo do mês.
A expectativa de retomada gradual do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz ajudou a aliviar as preocupações sobre a oferta global da commodity. Essa rota estratégica concentra cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo e vinha sendo motivo de apreensão para o mercado.
Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuíram para reduzir a tensão geopolítica. Segundo ele, há possibilidade de restabelecimento do acesso ao estreito em breve, além da existência de interlocutores no Irã dispostos a dialogar.
No cenário interno, operadores destacaram as intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos como fator adicional de estabilidade. O órgão realizou operações de recompra de papéis, ampliando a liquidez e ajudando a reduzir pressões na curva de juros.
Essas operações contribuíram para a queda das taxas de contratos de Depósito Interfinanceiro, que registraram recuos superiores a 30 pontos-base em alguns vencimentos. Investidores também ajustam posições antes da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, marcada para quarta-feira, quando será definida a nova taxa Selic.
Fonte: Agência Brasil







