Emprego feminino cresce, mas desigualdade salarial persiste
A participação feminina no mercado de trabalho registrou crescimento relevante nos últimos anos, ampliando oportunidades e presença em diferentes setores da economia brasileira. Segundo dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego, houve aumento de 11% no número de mulheres ocupadas, incluindo avanço significativo entre mulheres negras e pardas, que passaram a ocupar mais postos formais.
Mesmo com esse avanço, a desigualdade salarial entre homens e mulheres permanece praticamente inalterada. Nas empresas privadas com pelo menos cem empregados, as trabalhadoras recebem em média 21,3% menos que os homens. O dado reforça que a expansão do emprego feminino ainda não se traduz em igualdade de remuneração.
O levantamento integra o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, baseado em informações da Relação Anual de Informações Sociais e elaborado a partir de cerca de 53,5 mil estabelecimentos com cem ou mais empregados. Os dados indicam que o total de mulheres empregadas passou de 7,2 milhões para 8 milhões, representando acréscimo aproximado de oitocentos mil vagas.
Entre as mulheres negras e pardas, o crescimento foi ainda mais expressivo, chegando a 29% e ampliando a participação desse grupo no mercado formal. Esse movimento demonstra maior inclusão, mas também evidencia a necessidade de políticas contínuas para garantir equidade de condições e salários.
Outro ponto relevante é a diferença no salário mediano de contratação, que subiu de 13,7% para 14,3%, mantendo estabilidade estatística, porém sem redução efetiva da desigualdade. Enquanto o salário médio nacional atinge R$ 4.594,89, o valor mediano fica em R$ 2.295,36, evidenciando distorções na distribuição de rendimentos.
A participação feminina na massa de rendimentos também cresceu, passando de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, o percentual permanece abaixo da presença das mulheres no emprego, que alcança 41,4%. Para equilibrar essa diferença, seria necessário aumento estimado de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.
Especialistas apontam que ampliar a renda feminina poderia impulsionar o consumo das famílias e reduzir desigualdades econômicas, mas destacam que mudanças estruturais geram custos para empresas, o que pode dificultar a implementação de ajustes mais rápidos. Ainda assim, houve avanços em práticas corporativas, como adoção de jornadas flexíveis, auxílio-creche e expansão de licenças parentais.
Também cresceu o número de empresas com planos de cargos e salários mais transparentes, além de iniciativas voltadas à redução das diferenças remuneratórias. No entanto, as disparidades regionais continuam evidentes, com alguns estados apresentando níveis mais equilibrados e outros ainda registrando grandes distâncias entre remunerações masculinas e femininas.
Entre os estados com menor desigualdade estão Acre, Piauí, Distrito Federal, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Amapá, enquanto Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná apresentam os maiores níveis de diferença salarial. Esses dados reforçam a importância de políticas públicas e empresariais voltadas à equidade de gênero no trabalho formal.
A Lei nº 14.611/2023, que estabelece a transparência salarial em empresas com cem ou mais empregados, surge como instrumento relevante para enfrentar essa realidade. A legislação busca ampliar a fiscalização e incentivar práticas que promovam igualdade de remuneração e oportunidades para mulheres em todo o país brasileiro atual.
Fonte: Agência Brasil







