Empresas ampliam pressão por adequação à LGPD
Apenas 36% das empresas brasileiras estão totalmente adequadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), segundo levantamentos recentes do mercado. O cenário revela um desafio crescente para organizações de diferentes portes, especialmente em um momento em que auditorias, contratos e processos de investimento passaram a exigir níveis mais elevados de governança e proteção de informações. Ao mesmo tempo, o mercado global de segurança da informação mantém forte expansão e pode ultrapassar US$ 350 bilhões até 2029, ampliando a pressão sobre empresas que ainda não estruturaram seus processos internos.
Especialistas apontam que o principal problema não está apenas na adequação jurídica, mas na dificuldade de identificar, classificar e documentar riscos relacionados ao tratamento de dados pessoais. Sem processos claros e contínuos, muitas empresas encontram obstáculos para comprovar maturidade em governança de dados, o que já interfere em negociações comerciais e avaliações de compliance realizadas por clientes, investidores e parceiros.
Os empresários Gustavo Henrique Brandão e Kleber Ferreira afirmam que a análise de risco é uma das etapas mais importantes da aplicação prática da LGPD dentro das empresas. Segundo eles, a ausência dessa estrutura torna a governança mais vulnerável e dificulta a demonstração de conformidade perante o mercado e os órgãos reguladores.
A percepção dessa necessidade levou os empresários a criarem, em Itajaí, Santa Catarina, a PROTEGE Análise de Risco em Proteção de Dados LTDA. A empresa desenvolveu a plataforma LGPD Protege, um software criado para estruturar processos de análise de risco e auxiliar empresas na documentação das atividades relacionadas ao tratamento de dados pessoais.
De acordo com os fundadores, muitas empresas acreditam estar adequadas à legislação apenas por possuírem documentos jurídicos ou contratos específicos de compliance. Entretanto, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados exige mais do que documentação formal. O foco da fiscalização também está na capacidade de demonstrar, na prática, como a organização identifica, avalia e reduz riscos ligados ao uso de dados.
A plataforma conduz usuários por etapas organizadas para mapear operações com dados pessoais, avaliar riscos com critérios objetivos e gerar relatórios técnicos automáticos. Esses documentos podem ser utilizados em auditorias, contratos comerciais e processos de due diligence, fortalecendo a transparência e a segurança das operações empresariais.
O sistema atende diretamente empresas e também escritórios especializados que prestam suporte a clientes na área de proteção de dados. A proposta busca ampliar a governança sem aumentar excessivamente a complexidade operacional, tornando o processo mais acessível para pequenas e médias empresas.
O avanço das fiscalizações da ANPD e a possibilidade de sanções mais rigorosas reforçam a importância do tema. Nesse contexto, soluções tecnológicas ganham espaço ao transformar a análise de risco em um processo contínuo, documentado e mais eficiente. Desenvolvida com princípios de Privacy by Design, a plataforma opera com informações descritivas e não armazena dados pessoais de titulares, priorizando controle, redução de exposição e segurança digital.
Os empresários explicam que a inspiração para o desenvolvimento da plataforma veio de modelos europeus de proteção de dados, considerados referência internacional no setor. Segundo eles, a intenção foi adaptar práticas já utilizadas em outros mercados para a realidade brasileira, oferecendo uma solução online e mais ágil. Para os fundadores, a governança de dados tende a se consolidar como um indicador de organização, confiabilidade e maturidade empresarial, influenciando decisões comerciais, parcerias estratégicas e processos de investimento em diferentes segmentos da economia.







