Endividamento das famílias brasileiras bate recorde histórico
O endividamento das famílias brasileiras alcançou um novo recorde histórico em fevereiro, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). De acordo com a pesquisa mensal realizada pela entidade desde 2010, 80,2% das famílias afirmaram possuir algum tipo de dívida, o maior percentual já registrado na série histórica. O índice representa aumento de 0,7 ponto percentual em relação a janeiro e supera em 3,8 pontos o resultado observado no mesmo período de 2025.
O avanço do endividamento veio acompanhado pelo aumento da inadimplência. Segundo a CNC, 29,6% das famílias disseram ter parcelas em atraso, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de queda nesse indicador. O dado revela que parte significativa dos consumidores encontra dificuldades para manter os pagamentos em dia, pressionada pelo custo elevado do crédito e pelas despesas acumuladas no orçamento doméstico.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário reflete principalmente o nível elevado das taxas de juros no país. Segundo ele, embora o crédito seja fundamental para sustentar o consumo das famílias, o custo do dinheiro permanece alto e dificulta a quitação das dívidas. Esse contexto cria um ciclo delicado em que novos compromissos financeiros se acumulam enquanto a capacidade de pagamento diminui.
Os efeitos também aparecem no desempenho da economia. Dados do Produto Interno Bruto indicam que o país praticamente ficou estagnado no quarto trimestre, com avanço de apenas 0,1%, encerrando o ano anterior com crescimento de 2,3%. Diante desse cenário, o mercado acompanha com atenção a próxima reunião do Banco Central, que deverá discutir os rumos da taxa básica de juros Selic.
O levantamento também identificou quais são as principais modalidades de dívida presentes no orçamento das famílias brasileiras. O cartão de crédito segue liderando com ampla vantagem e é citado por 85% dos entrevistados endividados. Outras formas relevantes incluem carnês de loja, mencionados por 16%, além do crédito pessoal, com 12,3%. Também aparecem financiamentos de habitação e de veículos.
Entre os entrevistados, 9,8% relataram financiamento imobiliário e 8,9% financiamento de automóveis, reforçando a diversidade de compromissos financeiros presentes na realidade de muitas famílias brasileiras atualmente.
Fonte: Modais em Foco







