Gastos de brasileiros no exterior batem recorde
Os gastos de brasileiras e brasileiros em viagens internacionais alcançaram US$ 12,61 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O volume representa crescimento de 22,5% em comparação com o mesmo período de 2025 e estabelece o maior resultado para os seis primeiros meses de um ano desde o início da série histórica, em 1995. O avanço mostra uma retomada consistente do consumo no exterior, favorecida principalmente pelo câmbio mais acessível e pela atividade econômica aquecida.
Esse desempenho não significa, porém, que todas as famílias passaram a viajar mais. O dado mede o valor total desembolsado e pode refletir tanto aumento no número de viagens quanto gastos maiores por pessoa, sem detalhar como o consumo se distribuiu entre diferentes grupos de renda.
A redução da cotação do dólar contribuiu diretamente para ampliar o poder de compra de quem viajou para outros países. A moeda norte-americana começou o ano negociada a cerca de R$ 5,49 e encerrou junho em R$ 5,16, acumulando queda de 5,8% no semestre. Em 27 de julho, a cotação ficou próxima de R$ 5,10. Com o dólar mais barato, despesas com hospedagem, alimentação, transporte, compras e serviços passaram a pesar menos no orçamento convertido em reais.
Durante o semestre, a moeda chegou a ser negociada abaixo de R$ 5 em alguns momentos. O movimento ocorreu em meio às tensões no Oriente Médio, à valorização do petróleo e às mudanças na percepção dos investidores sobre os ativos internacionais. Nesse cenário, o real esteve entre as moedas que melhor aproveitaram o enfraquecimento temporário do dólar. Ainda assim, o câmbio permaneceu sujeito a oscilações provocadas por fatores externos e pelas expectativas relacionadas às economias brasileira e norte-americana.
As contas externas brasileiras também apresentaram melhora no período. O déficit em transações correntes caiu 16,34%, passando de US$ 32,85 bilhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 27,47 bilhões entre janeiro e junho de 2026. Esse indicador reúne operações como comércio de bens, serviços, viagens, remessas de lucros, juros e transferências entre o Brasil e outros países. A redução do saldo negativo sinaliza uma necessidade menor de financiamento externo em comparação com o ano anterior.
Ao mesmo tempo, os investimentos diretos no país aumentaram de US$ 35,4 bilhões para aproximadamente US$ 47 bilhões, avanço próximo de 33%. Esses recursos são destinados, principalmente, à participação em empresas, ampliação de operações e projetos produtivos de longo prazo. O montante foi suficiente para cobrir o déficit acumulado em transações correntes durante o primeiro semestre. Os números indicam que, embora brasileiros tenham elevado as despesas no exterior, o país também recebeu um fluxo maior de capital estrangeiro produtivo, contribuindo para equilibrar as contas externas e fortalecer o financiamento da atividade econômica nacional.







