Honda lidera com 75% das motos usadas em entregas no Brasil
A frota de motocicletas utilizadas em serviços de delivery no Brasil começou 2026 com uma característica marcante: a concentração em uma única marca. Dados do Data Gaudium, núcleo de inteligência da empresa Gaudium, mostram que a Honda respondeu por cerca de 75% das motos empregadas em entregas durante janeiro. O levantamento, baseado em operações reais, reforça o domínio histórico da marca em um setor que combina diversidade de modelos com escolhas pragmáticas por parte dos trabalhadores.
A Honda CG 160 mantém a liderança como o modelo mais utilizado, presente em aproximadamente um quarto das entregas no período. A preferência se explica por fatores recorrentes no dia a dia dos entregadores: confiabilidade mecânica, manutenção de baixo custo e ampla rede de peças. Outros modelos da marca, como a CG 150 e a CG 125, seguem em circulação, ao lado de concorrentes consolidadas, como a Yamaha Factor e a Honda Biz.
Uma novidade no mercado é o avanço da Mottu Sport 110i, fabricada pela indiana TVS. Oferecida por meio de aluguel e assinatura, a moto representa uma alternativa para reduzir o investimento inicial de quem ingressa na atividade, ampliando o acesso ao trabalho sobre duas rodas.
Vinícius Guahy, coordenador de conteúdo e comunidade da Gaudium, analisa o cenário. “Apesar da variedade de marcas, o grau de concentração sugere que o mercado opera com margens estreitas e baixa tolerância a risco. Para quem depende da moto como ferramenta de trabalho, a previsibilidade dos custos pesa mais do que inovação ou design. A predominância da Honda funciona como um indicador de confiança construída ao longo do tempo, mais do que ausência de alternativas”, afirma.
A pesquisa também revela uma frota relativamente jovem. Motocicletas fabricadas em 2024 e 2025 já representam parcela significativa das entregas, sinalizando um ciclo contínuo de renovação. Modelos produzidos entre 2010 e 2015 ainda circulam, mas com participação menor, enquanto veículos mais antigos se tornam cada vez mais raros. O movimento indica que, mesmo sob pressão de custos, há disposição para investir em motos mais novas, seja por necessidade operacional, seja por exigências indiretas das plataformas de delivery.
Quase todas as motocicletas analisadas pertencem à categoria urbana, adequadas a trajetos curtos, alto volume de paradas e trânsito intenso. O perfil reforça a preferência por modelos de baixa cilindrada, que oferecem maior eficiência de combustível e agilidade fatores essenciais para a produtividade no setor.
No aspecto tecnológico, o delivery permanece ancorado em soluções tradicionais. Motores a combustão, a gasolina ou flex, respondem pela quase totalidade da frota. A presença de motos elétricas é residual, limitada por obstáculos como autonomia, tempo de recarga, infraestrutura urbana e custo de aquisição. Para jornadas longas e contínuas, esses fatores ainda representam barreiras relevantes à adoção.
O panorama de janeiro indica que o delivery sobre duas rodas no Brasil evolui de forma incremental. A frota se renova, novos modelos de acesso surgem, mas a estrutura do mercado permanece concentrada e avessa a riscos tecnológicos. Para fabricantes, plataformas e empresas de mobilidade, os dados revelam um setor em expansão, guiado por eficiência, confiabilidade e custo e ainda distante de uma transição significativa para novas matrizes energéticas.







