IA nas empresas: uso massivo ainda busca retorno real
A Inteligência Artificial deixou de ser tendência distante e passou a fazer parte do cotidiano corporativo. Hoje, nove em cada dez empresas já utilizam algum tipo de IA em suas rotinas, seja para apoiar decisões, automatizar tarefas ou melhorar a experiência de clientes e colaboradores. Mesmo com essa adoção quase universal, o desafio central permanece: transformar tecnologia em resultados financeiros concretos, sustentáveis e distribuídos de forma equilibrada dentro das organizações.
De acordo com o relatório The State of AI: Global Survey 2025, elaborado pela McKinsey & Company, apenas 39% das empresas entrevistadas afirmam ter percebido impacto positivo direto da IA em seus resultados financeiros. O estudo ouviu cerca de dois mil executivos em mais de 100 países e revela um cenário comum: muitas organizações experimentam a tecnologia, mas poucas conseguem integrá-la de forma estratégica aos seus processos centrais.
Na prática, a IA já está presente em áreas como marketing, atendimento ao cliente, operações, logística, finanças e desenvolvimento de produtos. Ferramentas de análise preditiva, chatbots, sistemas de recomendação e automação inteligente ajudam a ganhar velocidade, reduzir erros e personalizar experiências. No entanto, quando essas iniciativas ficam restritas a projetos isolados, sem alinhamento com a estratégia do negócio, os ganhos tendem a ser limitados e difíceis de escalar.
O relatório aponta que empresas que tratam a IA apenas como uma solução pontual costumam enfrentar frustração e baixo retorno. Em contrapartida, aquelas que redesenham fluxos de trabalho, revisam processos, combinam automação com supervisão humana e investem de forma contínua em capacitação conseguem resultados mais consistentes. A tecnologia, nesse contexto, não substitui pessoas, mas amplia capacidades e cria novas formas de trabalhar.
Outro ponto central é a governança. Para que a IA gere valor, é necessário definir responsabilidades claras, critérios éticos, métricas de desempenho e mecanismos de controle. Organizações que estruturam bem esses pilares conseguem reduzir riscos, aumentar a confiança interna e externa e tomar decisões mais seguras. Isso inclui cuidar da qualidade dos dados, da transparência dos algoritmos e do uso responsável das informações.
O estudo também chama atenção para os riscos da automação excessiva. Delegar totalmente tarefas cognitivas a sistemas inteligentes pode comprometer a qualidade das decisões e enfraquecer habilidades humanas fundamentais, como pensamento crítico, criatividade, empatia e julgamento contextual. Quando a IA passa a decidir sozinha, sem revisão ou senso de contexto, erros podem se multiplicar e impactos negativos se tornar mais difíceis de corrigir.
Por isso, os melhores desempenhos estão associados a modelos híbridos. Neles, a IA atua como suporte qualificado, oferecendo análises, previsões e recomendações, enquanto as pessoas mantêm o papel central de decisão, interpretação e responsabilidade. Esse equilíbrio fortalece equipes, preserva competências humanas e aumenta a chance de gerar valor real para o negócio.
Outro desafio relevante é a capacitação. Muitas empresas investem em tecnologia, mas negligenciam o preparo de suas equipes. Desenvolver habilidades digitais, analíticas e estratégicas é essencial para que profissionais consigam usar a IA de forma consciente, produtiva e alinhada aos objetivos da organização. Inclusão, diversidade de perspectivas e aprendizado contínuo tornam esse processo mais rico e eficaz.
Em resumo, a Inteligência Artificial já é realidade na maioria das empresas, mas seu potencial pleno ainda está em construção. O caminho para resultados financeiros sólidos passa por integração estratégica, governança responsável, modelos híbridos e valorização das pessoas. Quando tecnologia e inteligência humana caminham juntas, a IA deixa de ser apenas inovação e se torna um verdadeiro motor de transformação sustentável.
Fonte: Modais em Foco






