Mercado reage à tensão no Oriente Médio
O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana em clima de cautela diante do agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda-feira, o dólar encerrou praticamente estável, enquanto a bolsa brasileira registrou queda expressiva, refletindo o aumento das preocupações com inflação, juros e possíveis impactos econômicos globais provocados pelo conflito no Oriente Médio.
O índice Ibovespa, principal indicador da B3, caiu 1,19% e fechou aos 181.908 pontos, no menor nível desde o fim de março. O movimento foi influenciado principalmente pela desvalorização de ações mais sensíveis ao comportamento dos juros. Investidores avaliam que a alta do petróleo pode dificultar futuras reduções da taxa Selic, mantendo o custo do crédito elevado no país.
Além das tensões internacionais, o mercado acompanhou a divulgação de balanços corporativos. Mesmo empresas que apresentaram resultados considerados positivos enfrentaram perdas em suas ações durante o pregão. Analistas apontaram que a saída de recursos estrangeiros da bolsa brasileira nos primeiros dias de maio também contribuiu para o desempenho negativo do índice.
A piora nas expectativas para a inflação aumentou a percepção de risco entre investidores. O cenário internacional, marcado pela continuidade do conflito e pela possibilidade de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos, reduziu o apetite por ativos considerados mais arriscados, como ações de mercados emergentes.
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 4,891, com leve baixa de 0,10%. Apesar da estabilidade observada no Brasil, a moeda estadunidense manteve força frente a outras divisas emergentes no exterior. O movimento ocorreu após os Estados Unidos rejeitarem a proposta apresentada pelo Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Durante o pregão, o dólar oscilou pouco e permaneceu em faixa estreita de negociação. Pela manhã, a moeda atingiu máxima de R$ 4,9059 e chegou à mínima de R$ 4,8858 antes de retornar para perto da estabilidade. O dólar futuro para junho também encerrou praticamente sem variação na B3.
Especialistas atribuíram a reação moderada do câmbio brasileiro ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, fator que continua favorecendo a entrada de capital estrangeiro. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou redução na projeção para o dólar ao fim deste ano, passando de R$ 5,25 para R$ 5,20.
No cenário internacional, o petróleo voltou a subir diante do impasse diplomático. O barril do Brent avançou 2,88%, encerrando cotado a US$ 104,21, enquanto o WTI subiu 2,78%, alcançando US$ 98,07. A valorização da commodity reforçou os temores relacionados à inflação global e ampliou as dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros em diferentes economias.
As tensões aumentaram após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou como inaceitável a proposta iraniana para encerrar o conflito. Autoridades do Irã afirmaram que o país está preparado para responder a novos ataques, ampliando a preocupação dos mercados internacionais.
Analistas também observaram que a baixa liquidez do pregão limitou movimentos mais intensos no mercado brasileiro. Sem apostas mais firmes por parte dos investidores, os negócios seguiram concentrados em operações defensivas. No exterior, o índice DXY, responsável por medir o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, operou próximo da estabilidade durante grande parte do dia. O comportamento moderado do indicador reforçou a percepção de que o mercado global segue atento aos desdobramentos políticos e econômicos envolvendo potências internacionais relevantes.
Fonte: Agência Brasil







