Mudança de Coronel redefine chapas e reorganiza disputa na Bahia
A decisão do senador Angelo Coronel de deixar o PSD e integrar o campo de oposição provoca uma reorganização direta no cenário político da Bahia e contribui para destravar impasses que vinham se arrastando nos dois principais blocos. A mudança, especulada nas últimas semanas, acelera definições, dá clareza às chapas majoritárias e reduz a necessidade de negociações prolongadas às vésperas do calendário eleitoral.
Eleito em 2018 pelo PSD, Angelo Coronel dividiu a vitória ao Senado com Jaques Wagner, ambos pela base governista. Agora, ao optar por um novo alinhamento, o senador passa a disputar a reeleição em um campo político distinto e assume o desafio de enfrentar uma composição governista formada exclusivamente por nomes do PT. Caso confirme a candidatura, Coronel será o primeiro senador baiano desde 2010 a tentar renovar o mandato em um ambiente de ruptura política tão explícita.
No bloco oposicionista, a entrada de Angelo Coronel ajuda a desenhar a chapa liderada por ACM Neto, que volta a disputar o governo do estado. Com duas vagas em jogo para o Senado, a articulação prevê Coronel concorrendo ao lado de João Roma, atual presidente do PL na Bahia. A tendência é que Coronel se filie ao União Brasil, embora mantenha diálogo aberto com outras legendas do campo oposicionista, como o PSDB.
Nesse novo arranjo, o Republicanos, que anteriormente pleiteava uma das vagas ao Senado, passa a concentrar forças na indicação do nome para a vice-governadoria. A lógica repete a estratégia adotada em 2022, mas com maior peso político. O nome mais citado é o da deputada federal Rogéria Santos, parlamentar em primeiro mandato e figura de destaque na articulação do partido no estado.
Rogéria Santos construiu sua trajetória política em Salvador, onde exerceu o mandato de vereadora entre 2017 e 2021. Durante esse período, licenciou-se da Câmara Municipal para assumir a Secretaria de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude, ampliando sua visibilidade administrativa. Sua eventual escolha para a vice reforça o equilíbrio partidário da chapa e amplia o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado baiano.

Se confirmadas as articulações em curso, a chapa de oposição deve ser formada por ACM Neto como candidato ao governo, Rogéria Santos como vice, Angelo Coronel disputando o Senado ao lado de João Roma. O desenho busca unir experiência política, diversidade partidária e capilaridade eleitoral em diferentes regiões do estado.
No campo governista, a saída de Coronel também consolida uma estratégia clara. O grupo liderado pelo PT avança na formação da chamada chapa “puro-sangue”, reunindo os três últimos governadores do estado. Jerônimo Rodrigues tenta a reeleição, enquanto Jaques Wagner concorre a mais um mandato no Senado, acompanhado de Rui Costa como segundo nome para a Casa Legislativa.
A avaliação interna do grupo é de que essa composição fortalece a narrativa de continuidade administrativa e pode se mostrar altamente competitiva nas urnas. Para a vice-governadoria, o entendimento é pela manutenção de Geraldo Júnior, repetindo a aliança vitoriosa de 2022. Lideranças do MDB e do Palácio de Ondina afirmam que a parceria segue sólida e alinhada ao projeto político do grupo.
Fonte: A Tarde







