Não é impressão: o mapa das rotas aéreas no Nordeste está sendo redesenhado. E isso muda tudo.
Passei os últimos dias organizando dados sobre conectividade aérea na região, e o que vi me fez parar para escrever este post.
Facto: o Nordeste fechou 2025 com 771 mil passageiros em voos internacionais diretos — sem precisar passar por Guarulhos ou Galeão. Isso é um salto e tanto para uma região que durante décadas dependia de conexões no Sudeste para chegar ao mundo.
Em 2026, o ritmo não diminuiu. Pelo contrário.
A LATAM anunciou a ampliação da rota Fortaleza-Lisboa, que passa a ter até cinco frequências semanais na alta temporada. A mesma companhia lançou voos sazonais inéditos ligando Natal e Maceió diretamente a Buenos Aires. Recife ganhou rotas para Porto e Madrid. Salvador, segundo dados oficiais, teve um aumento de 28% na oferta de assentos internacionais.
No total, 64 novos voos internacionais foram autorizados pela ANAC até setembro deste ano.
Mas o dado que mais me chama a atenção é outro: pela primeira vez, Recife ultrapassou Salvador como o aeroporto de maior movimentação da região. E os aeroportos nordestinos somaram 7,43 milhões de passageiros no primeiro quadrimestre — crescimento de 11,2% sobre o ano passado.
O que isso significa na prática?
Que o Nordeste está deixando de ser um destino que se visita “apesar da logística” e se tornando um destino que se visita “por causa da logística”. As companhias aéreas enxergaram o movimento e estão ajustando suas malhas. O dinheiro está seguindo o passageiro.
Isso tem implicações diretas para quem trabalha com hotelaria, receptivo, eventos e infraestrutura turística. Não é mais sobre esperar o turista chegar — é sobre estar pronto quando ele chegar. E ele está chegando em números que a região nunca viu.
Nos próximos posts vou destrinchar o que isso significa para cada estado, quais os gargalos que ainda atrapalham e onde vejo as maiores oportunidades.
Se você trabalha com turismo no Nordeste, queria saber: qual estado você acha que tem mais a ganhar com essa nova malha aérea?
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Texto: Marcelo Poletto
Profissional com mais de 35 anos de experiência nos setores de hospitalidade e turismo, atua hoje como Consultor Independente em duas frentes complementares: contratação de serviços hoteleiros e operacionais e planejamento estratégico para desenvolvimento de destinos e propriedades hoteleiras.
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