PF abre inquérito sobre possível campanha digital pró-Banco Master
A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar denúncias envolvendo a suposta contratação de influenciadores digitais com o objetivo de defender o Banco Master e, ao mesmo tempo, atacar publicamente o Banco Central. O caso levanta um debate amplo sobre transparência, ética na comunicação digital e os limites da atuação de criadores de conteúdo quando interesses financeiros entram em cena.
De acordo com informações preliminares, cerca de 46 perfis em redes sociais teriam participado de uma ação coordenada. Esses influenciadores teriam sido procurados para publicar conteúdos que questionavam a atuação do Banco Central, ao mesmo tempo em que apresentavam recortes seletivos sobre o processo de liquidação do Banco Master. As postagens buscavam criar uma narrativa favorável à instituição financeira e contrária às decisões técnicas do órgão regulador.
As movimentações chamaram a atenção durante a análise da venda do Banco Master para o BRB, processo que já vinha sendo acompanhado de perto pelas autoridades. No entanto, a intensidade das publicações aumentou nos últimos dias, coincidindo com disputas judiciais em andamento no STF e no TCU. Nesse contexto, investigadores e advogados passaram a travar embates públicos e jurídicos sobre a condução do caso.
Segundo a apuração, os conteúdos divulgados pelos influenciadores destacavam apenas partes do processo de liquidação, deixando de fora informações técnicas relevantes. Essa estratégia teria o objetivo de influenciar a opinião pública, gerar desconfiança sobre a atuação do Banco Central e pressionar autoridades envolvidas na decisão. Especialistas alertam que esse tipo de prática pode distorcer o debate público e comprometer a confiança da sociedade nas instituições.
A ofensiva digital não se limitou ao órgão regulador. Postagens também teriam direcionado ataques pessoais ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a familiares, ao diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e entidades do sistema financeiro que manifestaram apoio à decisão técnica de liquidar o banco. O tom das publicações variou entre críticas diretas, insinuações e questionamentos sobre a integridade das autoridades.
Outro alvo citado foi o presidente da Febraban, Isaac Sidney. Em nota oficial, a federação informou que realizou um mapeamento detalhado das postagens e identificou um volume atípico de menções em dezembro. A entidade avalia se o episódio pode ser caracterizado como uma ação coordenada, o que reforçaria a gravidade das denúncias.
O caso reacende discussões importantes sobre responsabilidade digital e publicidade velada. Quando influenciadores não deixam claro que um conteúdo é patrocinado ou direcionado por interesses específicos, o público pode ser induzido ao erro. Para especialistas em comunicação e direito digital, a transparência é essencial para preservar a credibilidade das redes sociais como espaço de debate democrático.
A investigação da Polícia Federal busca esclarecer se houve crime, identificar possíveis mandantes e compreender a extensão da estratégia digital utilizada. Mais do que apurar responsabilidades individuais, o inquérito pode abrir precedentes sobre como o Estado brasileiro lida com campanhas coordenadas de desinformação ou manipulação de narrativas em ambientes digitais.
Enquanto o processo segue, o episódio serve de alerta para a sociedade sobre a necessidade de consumo crítico de informações online. Em um cenário em que opiniões circulam com rapidez e grande alcance, checar fontes, desconfiar de narrativas simplificadas e exigir transparência tornam-se atitudes fundamentais para fortalecer a democracia e proteger as instituições públicas.
Fonte: A Tarde







