Vendas da Páscoa devem atingir recorde em 2026
O comércio varejista brasileiro entra no período da Páscoa com expectativas positivas para 2026. Considerada uma das datas mais relevantes do calendário comercial, a Semana Santa movimenta diversos segmentos, desde chocolates e alimentos típicos até itens presenteáveis. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo projeta um crescimento de 2,5% nas vendas em relação ao ano anterior, com faturamento estimado em R$ 3,57 bilhões, o maior da série histórica iniciada em 2005.
Mesmo diante de um cenário de aumento de custos, o setor demonstra resiliência. O cacau, principal insumo do chocolate, apresenta alta expressiva no mercado internacional, com elevação de cerca de 37% em relação ao ano passado. Ainda assim, o impacto não deve impedir o avanço das vendas, embora contribua para o encarecimento dos produtos finais ao consumidor.
Outro fator relevante é a redução nas importações de itens tradicionais da data, como chocolates e bacalhau. Segundo a entidade, houve queda de 27% nas encomendas de chocolate e de 22% no bacalhau importado. Esse movimento reforça a tendência de valorização de produtos nacionais, que ganham espaço nas prateleiras e nas escolhas dos consumidores.
A inflação também influencia o comportamento de compra. O conjunto de produtos típicos da Páscoa apresenta alta média de 6,2% em relação a 2025, superando novamente o índice oficial de preços. Entre os itens com maior aumento estão o chocolate, com elevação prevista de 14,9%, o bacalhau, com 7,7%, e a alimentação fora do lar, com alta de 6,9%.
Apesar disso, o cenário econômico apresenta fatores que favorecem o consumo. A valorização do real frente ao dólar ao longo dos últimos meses não foi suficiente para conter o aumento dos preços dos importados, devido ao encarecimento global dos insumos. Ainda assim, o mercado de trabalho aquecido e a desaceleração da inflação geral contribuem para sustentar o poder de compra das famílias.
Além dos fatores econômicos, mudanças no perfil do consumidor também impactam o desempenho das vendas. Há uma tendência crescente de consumo mais consciente e seletivo, com maior valorização da qualidade em detrimento da quantidade. Produtos premium, edições limitadas e itens com diferenciais, como versões sem lactose ou com maior valor nutricional, ganham destaque.
O comportamento de compra também é influenciado pelo apelo emocional da data. A Páscoa segue associada a sentimentos de união, celebração e troca de presentes, elementos que impulsionam estratégias de marketing mais elaboradas. Embalagens diferenciadas, storytelling e experiências sensoriais contribuem para agregar valor aos produtos e estimular decisões de compra.
Nesse contexto, o chocolate deixa de ser apenas um item de consumo e passa a representar uma experiência. As marcas investem em inovação e posicionamento para se conectar com o público, fortalecendo vínculos emocionais e ampliando o potencial de vendas. Assim, mesmo diante de desafios como inflação e custos elevados, a Páscoa de 2026 deve consolidar um novo recorde para o varejo brasileiro.







