Verão histórico aquece Salvador para o Carnaval 2026
Salvador já vive o clima da alta temporada com ruas cheias, hotéis em ritmo acelerado e uma energia que anuncia o que vem pela frente. Para o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, a expectativa é clara: a capital baiana deve registrar um dos maiores movimentos turísticos dos últimos anos e superar os números recentes do Carnaval. Em entrevista, ele afirma que a cidade caminha para ultrapassar a marca de mais de um milhão de visitantes, repetindo e ampliando o sucesso dos dois últimos verões.
Segundo Edington, o aquecimento do turismo não se resume a um único evento. Salvador mantém uma sequência de ações e celebrações que impulsionam a chegada de pessoas durante todo o ano, com destaque para a programação cultural, o fortalecimento do calendário oficial e a visibilidade nacional conquistada pela cidade. Ele destaca que a movimentação começa a ganhar força a partir de setembro, com o Festival da Primavera, e se intensifica nos meses seguintes, passando por outubro com atividades diversas, novembro com o Salvador Capital Afro e dezembro com um Festival da Virada fortalecido por grandes atrações e eventos complementares.
Na avaliação do presidente da Saltur, as festas populares também reforçam esse ciclo de crescimento. Ele aponta que a Lavagem do Bonfim, por exemplo, atingiu um nível de participação e emoção que impressionou até quem acompanha a tradição há décadas. Esse cenário, somado ao aumento da ocupação na hotelaria, ao fluxo constante no aeroporto e na rodoviária e à alta procura nas plataformas de hospedagem por temporada, consolida um momento de grande confiança. Para ele, Salvador se posiciona com força entre os destinos mais desejados do verão brasileiro, com destaque em publicações nacionais e nas buscas de viajantes.
Com esse cenário aquecido, a organização do Carnaval 2026 entra em campo com foco em logística, conforto e ampliação de experiências. Edington reforça que o Carnaval exige planejamento detalhado e decisões técnicas, especialmente para garantir a circulação dos trios elétricos e o funcionamento dos circuitos. Ele lembra que, em 2025, a cidade enfrentou um desafio importante ao reorganizar a logística após o fim do estacionamento da Graça, e conseguiu redistribuir vagas em pontos estratégicos, usando áreas como o Comércio, o Vale do Canela e outros estacionamentos de apoio. Além disso, a equipe realizou testes práticos para assegurar o deslocamento dos trios com mais eficiência.
Entre as mudanças do pré-Carnaval, uma das principais é a inversão do calendário entre Furdunço e Fuzuê. A gestão percebeu que o Furdunço reúne um público gigantesco e costuma terminar tarde, o que dificultava a rotina de quem precisava trabalhar na segunda-feira. Por isso, o evento passa para o sábado, enquanto o Fuzuê, com perfil mais leve e sem equipamentos eletrônicos, fica no domingo. A medida busca oferecer mais equilíbrio para quem participa e também valorizar a proposta cultural do Fuzuê, que terá encerramento com a banda Mudei de Nome.
Outro destaque do Carnaval 2026 é o tema escolhido para a abertura da festa: os 110 anos do samba. A homenagem, segundo Edington, nasce de uma pesquisa feita logo após o Carnaval anterior, dentro de uma dinâmica que prioriza celebrar movimentos culturais e marcos históricos, evitando homenagens póstumas ou personalizações excessivas. Depois de comemorar os 40 anos do Axé, Salvador agora amplia o olhar para um ritmo que carrega identidade brasileira e também dialoga com as raízes baianas. A proposta, além de simbólica, tem potencial de repercussão nacional e internacional, já que o samba se tornou um dos maiores emblemas culturais do Brasil no mundo.
Para transformar o tema em experiência viva, a abertura do Carnaval terá um espetáculo pensado especialmente para o Campo Grande. A direção artística ficará sob responsabilidade de Larissa Luz, convidada para comandar uma montagem sob medida, reunindo nomes representativos do samba em um pranchão. Edington prefere manter parte da lista em sigilo por causa de negociações em andamento, mas adianta a presença de Nelson Rufino como um dos destaques. A abertura deve acontecer por volta das 16h30, na quinta-feira de Carnaval, e a intenção é ampliar ainda mais a transmissão e a projeção do evento, reforçando Salvador como vitrine do Carnaval brasileiro.
O fortalecimento do circuito do Centro segue como uma das estratégias centrais da festa. A proposta busca distribuir melhor o público, reduzir pontos de superlotação e valorizar o Campo Grande como um espaço com potência artística e estrutura crescente. Edington afirma que artistas que também se apresentam na Barra-Ondina estarão no Centro, com nomes de grande apelo popular. A iniciativa também ajuda a desafogar a Barra especialmente nos dias de maior concentração, como quinta, sexta e sábado, e reforça a ideia de que o Carnaval pode oferecer experiências diversas sem perder sua essência.
Além dos circuitos oficiais, Salvador amplia o Carnaval para bairros e territórios com programações cada vez mais estruturadas. A festa chega com força a comunidades como Cajazeiras, Itapuã, Boca do Rio, Liberdade, Plataforma, Periperi e Pau da Lima, aproximando a cultura das pessoas e melhorando o fluxo nos circuitos principais. A cidade também inclui ações nas ilhas, incentiva entidades locais e mantém opções para diferentes estilos, como a Arena do Samba, espaços de música eletrônica e até um palco dedicado ao rock, na orla de Piatã.
Para garantir segurança e funcionamento, a Saltur trabalha com um plano de contingência permanente, com equipes monitorando a operação 24 horas por dia. A estrutura inclui uma central de vistoria e fiscalização integrada, com participação de órgãos municipais, estaduais e de segurança, além de entidades técnicas que acompanham os trios e os equipamentos. A gestão afirma que falhas podem ocorrer em um evento com muitos veículos e estruturas, mas a cidade se prepara com recursos de resposta rápida, como cavalinhos reservas posicionados estrategicamente em cada circuito.
Sobre a possibilidade de criação de um novo circuito, Edington explica que o debate existe, mas permanece suspenso. Ele reforça que qualquer ampliação exige consenso entre artistas, entidades e setores envolvidos, além de estudos técnicos aprofundados. A prefeitura mantém abertura para o diálogo, mas só avançará quando houver alinhamento real e garantia de que a mudança trará benefícios para quem vive a cidade, para quem trabalha na festa e para quem visita Salvador.
Ao final, Edington resume que o bom momento do turismo se constrói quando Salvador melhora primeiro para sua população. Ele aponta que investimentos em infraestrutura urbana, cultura, eventos e turismo esportivo fortalecem a cidade como destino e movimentam a economia. Para ele, Salvador se destaca por ter uma plataforma de eventos profissional e por trabalhar para reduzir a sazonalidade, gerando renda e oportunidades ao longo do ano. Com esse cenário, a expectativa é que o Carnaval 2026 seja ainda mais vibrante, organizado e plural, com espaço para todas as pessoas celebrarem a cidade do seu jeito.
Fonte: A Tarde







