Vivo prepara desligamento da rede 2G no Brasil
A Vivo confirmou que pretende desativar sua rede 2G no Brasil, medida que representa o começo do encerramento de uma das tecnologias mais antigas ainda utilizadas na telefonia móvel. A operadora ainda não apresentou um cronograma oficial para o desligamento, mas informou que deseja realizar a transição no menor prazo possível, respeitando as necessidades técnicas e operacionais envolvidas.
O anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Christian Gebara, durante a apresentação dos resultados financeiros da companhia. Segundo o executivo, manter a infraestrutura da segunda geração em funcionamento exige custos elevados e ocupa frequências que poderiam ser direcionadas para a ampliação das redes 4G e, principalmente, 5G.
A decisão faz parte do processo de modernização da telefonia móvel no país. A proposta é concentrar investimentos em tecnologias mais recentes, capazes de oferecer maior velocidade, estabilidade e capacidade de conexão. Entretanto, a desativação não poderá ocorrer imediatamente, porque milhares de equipamentos corporativos ainda dependem do sinal 2G para funcionar.
Entre os dispositivos que utilizam essa tecnologia estão rastreadores de veículos, máquinas de cartão mais antigas, medidores inteligentes operados por concessionárias e equipamentos ligados à internet das coisas. De acordo com a Vivo, esses aparelhos precisarão ser substituídos, atualizados ou adaptados antes do desligamento definitivo da rede.
A empresa informou que o 2G será a primeira geração móvel retirada de operação. Embora outras tecnologias antigas também possam passar por mudanças no futuro, o 4G continuará recebendo investimentos enquanto a cobertura do 5G avança em diferentes regiões brasileiras. Atualmente, grande parte dos recursos da operadora está direcionada à expansão da quinta geração.
Enquanto a migração não é concluída, Vivo e TIM continuam ampliando o compartilhamento de infraestrutura pelo modelo conhecido como RAN Sharing. Nesse sistema, as operadoras utilizam partes da mesma rede em milhares de municípios, reduzindo despesas de operação e aproveitando melhor os equipamentos disponíveis.
O acordo relacionado à rede 2G abrangia inicialmente cerca de duas mil cidades e foi ampliado para aproximadamente outras duas mil localidades. A iniciativa permite manter o serviço durante a transição, ao mesmo tempo em que reduz custos associados à manutenção de estruturas antigas.
A Agência Nacional de Telecomunicações também acompanha esse processo. A Anatel avalia restringir a homologação de celulares e dispositivos compatíveis somente com redes 2G e 3G. A medida busca diminuir a entrada de novos equipamentos baseados em padrões ultrapassados e incentivar a migração gradual para tecnologias mais modernas, sem interromper serviços ainda utilizados por empresas e consumidores.
Até que todas as etapas sejam concluídas, a rede permanecerá ativa para atender dispositivos que ainda não foram modernizados. A transição dependerá da substituição gradual desses equipamentos, da orientação aos clientes e do planejamento conjunto entre operadoras, empresas usuárias, fabricantes e órgãos responsáveis pela regulamentação do setor.
Fonte: A Tarde







