Voos entre Brasil e Oriente Médio seguem suspensos
A guerra no Irã mantém, nesta segunda feira 2, voos suspensos entre o Brasil e o Oriente Médio e afeta conexões estratégicas para a Europa e a Ásia. Analistas alertam que as interrupções podem se estender por semanas, diante da instabilidade na região e do fechamento prolongado do espaço aéreo em diversos países.
O espaço aéreo sobre Irã, Iraque, Kuwait, Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar permanece fechado. A medida paralisou dois dos principais centros de conexão do mundo, Dubai e Doha, pelo terceiro dia consecutivo. Sem esses aeroportos operando plenamente, companhias aéreas cancelaram voos, alteraram rotas e deixaram milhares de passageiros retidos em diferentes países.
No Brasil, o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, registrou 12 cancelamentos apenas nesta segunda feira, sendo seis chegadas e seis partidas. Cinco voos eram operados pela Qatar Airways e um pela Emirates. No fim de semana anterior, outros 12 cancelamentos já haviam sido contabilizados.
No sábado 28, um voo da Emirates com destino a Dubai e outro da Qatar Airways rumo a Doha chegaram a decolar de Guarulhos, mas precisaram retornar ao aeroporto devido ao agravamento do conflito. As companhias informaram que a decisão foi tomada por segurança operacional.
Em comunicado, a Emirates anunciou a suspensão temporária de todas as operações de e para Dubai até as 15h de terça feira 3, no horário local dos Emirados Árabes Unidos. A empresa orienta que passageiros verifiquem o status do voo antes de se deslocarem ao aeroporto e acompanhem as atualizações pelos canais oficiais. Os balcões de check in em Dubai permanecem fechados até novo aviso.
Clientes com viagens marcadas até 5 de março podem remarcar o embarque para até 20 de março ou solicitar reembolso. Bilhetes adquiridos por agências devem ser tratados diretamente com os agentes responsáveis, enquanto passagens compradas no site precisam ser ajustadas junto à companhia. A Emirates reforçou que monitora a situação e que a segurança de passageiros e tripulação é prioridade.
A Qatar Airways também mantém as operações suspensas devido ao fechamento do espaço aéreo do Qatar. A empresa informou que retomará os voos quando a autoridade de aviação civil do país considerar seguro reabrir o tráfego aéreo. Um novo comunicado deve ser divulgado até as 9h de terça feira, no horário de Doha. A recomendação aos passageiros é acompanhar informações atualizadas no site e no aplicativo da companhia.
Os impactos se espalham pelo mundo. Dubai foi o aeroporto internacional mais movimentado de 2024, com 92 milhões de passageiros, segundo o Conselho Internacional de Aeroportos, superando Heathrow, em Londres, por 13 milhões. Doha aparece entre os dez principais. A paralisação desses centros afeta cadeias globais de conexões.
Relatos de passageiros indicam dificuldades para reorganizar viagens. Em Sydney, clientes da Qatar Airways afirmaram ter recebido poucas informações ao tentar alterar reservas. Uma família italiana conseguiu rota alternativa via Los Angeles após o cancelamento do voo para Milão. Casais idosos relataram mudanças inesperadas de rota e escalas imprevistas, com retorno ao ponto de origem após horas de voo.
No mercado financeiro, ações do setor de viagens recuaram com força. Investidores reagiram ao fechamento do espaço aéreo, aos cancelamentos e à alta do petróleo. A TUI registrava queda de 7 por cento no início do pregão, enquanto a IAG, controladora da British Airways, caía 9 por cento. Lufthansa e Air France KLM recuavam 7 por cento. Empresas como Accor e Carnival também apresentavam perdas relevantes. Nos Estados Unidos, companhias aéreas registravam recuo aproximado de 5 por cento na pré abertura.
Analistas apontam aumento de custos com combustível, despesas com redirecionamentos e menor demanda como fatores de pressão. A B Riley Securities avaliou que uma zona de guerra ativa tende a reduzir o apetite por viagens na região.
Companhias asiáticas também foram impactadas. ANA Holdings, Air China, China Southern Airlines, China Eastern Airlines, AirAsia X, China Airlines e EVA Airways registraram quedas expressivas. A Cathay Pacific cancelou todos os voos para o Oriente Médio até novo aviso, dispensando taxas de remarcação. A Singapore Airlines suspendeu voos de e para Dubai até 7 de março, e a Japan Airlines interrompeu a rota Tóquio Doha.
A Air India cancelou voos entre a Índia e destinos europeus como Zurique, Copenhague e Birmingham, além de suspender operações para Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel e Catar. A empresa informou que voos para Nova York e Newark farão reabastecimento em Roma.
Dados da VariFlight indicam que companhias da China continental cancelaram 26,5 por cento dos voos entre 2 e 8 de março envolvendo o Oriente Médio. Especialistas ressaltam que, além das rotas suspensas, o aumento do petróleo e a instabilidade política global ampliam o cenário de incerteza para o setor aéreo nas próximas semanas.
Fonte: Modais em Foco







